O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta sexta-feira (28) uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o também deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
A acusação diz que houve ‘divulgação de informações falsas’ a respeito do sistema financeiro nacional e o suposto ‘estímulo a práticas’ que poderiam facilitar a lavagem de dinheiro.
No documento, Reimont também solicita que seja avaliada a possibilidade de prisão preventiva, caso as apurações indiquem risco à ordem pública.
A iniciativa ocorre após a repercussão da megaoperação da Polícia Federal que atingiu a região da Faria Lima, em São Paulo, e revelou esquemas bilionários de movimentação ilícita por meio de postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento.
Na coletiva após a ação, o delegado responsável falou que notícias falsas em relação ao PIX favoreciam o crime organizado. Não houve, porém, citação ao deputado Nikolas.
PCC: Fake News sobre Pix ajudou o crime organizado, diz secretário da Receita após operação
Segundo a investigação, organização criminosa usava fintechs para lavar dinheiro obtido com atividades ilícitas. pic.twitter.com/z6AFzSVFMt
— Sisi (@sisicardosob) August 28, 2025
No documento enviado à PGR, o deputado petista cita um vídeo publicado por Nikolas em 14 de janeiro de 2025, que viralizou ao abordar mudanças na fiscalização do Pix. À época, o governo federal cogitava exigir mais controle sobre movimentações acima de R$ 5 mil, mas recuou da proposta após forte reação popular.
O conteúdo alcançou mais de 336 milhões de visualizações no Instagram até esta semana. Para o petista, a postagem contribuiu para criar “brechas regulatórias e comportamentais” que fragilizam os mecanismos de rastreamento financeiro.
“Ao disseminar informações falsas com alcance de milhões de visualizações, o noticiado [Nikolas] possivelmente contribuiu de forma decisiva para criar brechas regulatórias e comportamentais que fragilizam os mecanismos de rastreamento digital”, afirmou Correia no pedido.
Segundo o parlamentar, ao colocar em dúvida instrumentos de controle e incentivar o uso de dinheiro em espécie, Nikolas “beneficia diretamente esquemas sofisticados que terceirizam a movimentação de recursos ilícitos para interpostas pessoas, empresas de fachada e plataformas digitais pouco reguladas”.
Crimes atribuídos
Na notícia-crime, Rogério Correia pede que Nikolas seja investigado por:
disseminação de informações falsas sobre instituições financeiras;
lavagem de dinheiro;
organização criminosa;
associação ao tráfico de drogas.
O petista solicita ainda que a PGR determine a remoção do vídeo das redes sociais, além de quebra de sigilos bancário e telefônico do deputado do PL.
A resposta
O parlamentar já reagiu às denúncias em entrevistas. Ele classificou as iniciativas de parlamentares governistas como perseguição política e rejeitou qualquer ligação com atividades criminosas.
“O meu vídeo foi em janeiro de 2025. Como um vídeo de janeiro de 2025 pode ter ajudado a movimentar R$ 46 bilhões de organizações criminosas entre 2020 e 2024? Eu sou atemporal? Na falta de argumentos e de achar algo para me colocar na cadeia, eles precisam inventar”, disse Nikolas à coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles.
O deputado ainda acrescentou: “Se eles pudessem, eles me fuzilariam, me matariam. Não estou envolvido em rachadinha, corrupção ou roubo do INSS. O modus operandi do PT é esse: não vencem com argumentos e recorrem a mentiras para pedir prisão”.
Outros pedidos contra Nikolas
Além da notícia-crime apresentada por Rogério Correia, Nikolas Ferreira também é alvo de representações da deputada Duda Salabert (PDT-MG) e do deputado Reimont (PT-RJ), que chegou a solicitar sua prisão preventiva.
Segundo os parlamentares, as falas de Nikolas contra a fiscalização do Pix teriam reforçado práticas criminosas desvendadas pela operação da PF. (Foto: reprodução vídeo; Fontes: CNN; Metrópoles)

