Os portugueses votam neste domingo (18) para escolher o próximo presidente da República em uma eleição marcada pela indefinição. As pesquisas mais recentes indicam um quadro fragmentado, sem um favorito claro, o que abre a possibilidade de um segundo turno — algo que não ocorre no país há cerca de 40 anos. O resultado pode representar uma mudança histórica no padrão eleitoral português.
A expectativa em torno da disputa reflete um ambiente político mais pulverizado, com diferentes correntes ideológicas disputando espaço. Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, a legislação prevê uma nova votação em 8 de fevereiro, com os dois mais votados, cenário que simboliza a crescente divisão do eleitorado.
Principais candidatos
Entre os nomes mais competitivos está André Ventura, líder do partido conservador Chega. Nas eleições legislativas de maio do ano passado, a legenda obteve 60 cadeiras na Assembleia da República, ampliando sua bancada em dez assentos e se consolidando como a principal força de oposição ao governo.
Além de Ventura, a disputa reúne João Cotrim de Figueiredo, do Iniciativa Liberal, defensor de redução de impostos e maior flexibilidade nas relações de trabalho; António José Seguro, do Partido Socialista, que se apresenta como um candidato “moderno e moderado”; o almirante Henrique Gouveia e Melo, ex-chefe da Marinha; e Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social Democrático.
Horários
As seções eleitorais em Portugal abrem às 8h no horário local (4h em Brasília) e permanecem em funcionamento até às 19h (15h em Brasília). Eleitores que estiverem na fila dentro do horário limite ainda poderão votar, conforme determina a legislação eleitoral do país.
As primeiras estimativas, conhecidas como “boca de urna”, devem ser divulgadas por volta das 20h no horário local (16h em Brasília). Já a projeção oficial sobre a definição do vencedor ou a confirmação de um segundo turno é esperada para cerca das 22h (18h em Brasília).
2º turno
Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta, Portugal terá um segundo turno presidencial pela primeira vez em quatro décadas. A eventualidade reforça a leitura de que o sistema político português vive um momento de fragmentação, com o enfraquecimento das tradicionais forças majoritárias.
O segundo turno, se confirmado, será realizado em 8 de fevereiro e colocará frente a frente os dois candidatos mais votados. A nova disputa tende a intensificar o debate político e ampliar o peso das alianças e da transferência de votos entre os eleitores.
O Presidente
Embora seja frequentemente descrito como um cargo de natureza “cerimonial”, o presidente português exerce influência relevante em momentos de instabilidade. Cabe ao chefe de Estado dissolver o Parlamento, demitir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar leis aprovadas pelos deputados.
O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, ocupa o cargo desde 2016 e está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Durante sua gestão, ele convocou eleições antecipadas em 2021, 2023 e 2025, evidenciando o peso institucional da presidência em períodos de crise política.
André Ventura e a ascensão do Chega
Aos 42 anos, André Ventura é fundador e líder do Chega e ficou conhecido nacionalmente após atuar como comentarista esportivo na televisão. Seu partido se consolidou como a segunda maior força parlamentar em 2025, com discurso centrado no combate à corrupção e em políticas mais rígidas contra a imigração. Também é conhecido no Brasil por críticas diretas a Lula e a Ministros do STF.
Vamos lá ganhar as eleições no Domingo e dar um abanão neste país! Obrigado pelo vosso apoio incrível. Nunca o vou esquecer! pic.twitter.com/rB1wUP4PFR
— André Ventura (@AndreCVentura) January 16, 2026
A ascensão do Chega alterou o equilíbrio tradicional da política portuguesa, forçando partidos históricos a reposicionarem suas estratégias. A candidatura de Ventura simboliza esse novo momento, marcado por maior polarização e pelo crescimento de forças conservadoras no país.
Brasil x Portugal
Em Portugal, o presidente da República exerce uma função institucional e moderadora. Ele não governa diretamente, não executa políticas públicas nem define o orçamento, atuando principalmente como garantidor do funcionamento das instituições democráticas e representante do Estado no exterior.
No Brasil, o modelo é distinto: o presidente acumula os papéis de chefe de Estado e chefe de governo, com amplos poderes executivos. Cabe a ele conduzir a política econômica, social e ambiental, nomear ministros e estabelecer as prioridades da administração federal, o que confere à eleição presidencial um peso muito maior na gestão cotidiana do país. (Foto: redes sociais; Fonte: CNN)

