Polônia aciona Otan após drones russos violarem espaço aéreo

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A Polônia acionou nesta quarta-feira (10) o Artigo 4 da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), depois de denunciar a violação de seu espaço aéreo por drones russos.

A medida prevê consultas entre os países-membros para definir ações conjuntas em caso de ameaça à segurança de um aliado. É a sétima vez que o dispositivo é invocado desde a criação da aliança, em 1949.

Segundo o Exército polonês, os drones entraram em território nacional durante ataques da Rússia contra alvos na Ucrânia. Varsóvia informou que aeronaves de combate da Polônia e de parceiros da Otan foram mobilizadas e que alguns drones foram abatidos.

Um deles caiu danificado na vila de Czosnowka, no leste do país. O governo elevou o nível de prontidão da defesa aérea e recomendou à população que permanecesse em casa. Aeroportos, incluindo o de Varsóvia, chegaram a ser fechados temporariamente.

O primeiro-ministro Donald Tusk classificou a situação como a mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial. “Nunca estivemos tão perto de um conflito armado desde 1945. Estamos prontos para reagir a provocações”, afirmou.

A reação internacional foi imediata. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, chamou a violação de “sem precedentes” e declarou que a União Europeia defenderá “cada centímetro quadrado” de seu território. Emmanuel Macron disse que o ataque foi “simplesmente inaceitável”, enquanto Keir Starmer, premiê britânico, o descreveu como “extremamente inconsequente”. A alta representante da UE, Kaja Kallas, alertou que “a guerra da Rússia está escalando, não terminando”.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reforçou que, “intencional ou não, [o incidente] é absolutamente irresponsável e perigoso”, dirigindo-se diretamente ao Kremlin: “Putin, pare de violar o espaço aéreo dos aliados”.

Moscou, por sua vez, nega responsabilidade. O diplomata Andrey Ordash afirmou que a Polônia não apresentou provas de que os drones abatidos sejam de origem russa e acusou Varsóvia de “propaganda infundada”.

O episódio reacende o temor de um possível desdobramento da guerra na Ucrânia para territórios da Otan. Caso seja constatado ataque deliberado da Rússia, os aliados poderiam avançar para o Artigo 5, que prevê resposta militar coletiva — o maior compromisso de defesa mútua do tratado.

Enquanto isso, autoridades polonesas permanecem em reuniões de emergência sobre segurança, com atenção redobrada às regiões próximas à fronteira com a Ucrânia e Belarus. (Foto: reprodução OTAN; Fonte: G1)

 

 

 

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