Plano de saúde dos Correios acumula prejuízo de R$ 844 milhões em 2025

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O plano de saúde dos funcionários dos Correios, a Postal Saúde, encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 844,4 milhões. Segundo a operadora, o resultado foi provocado principalmente pela ausência de repasses financeiros da estatal, que atravessa uma crise financeira com uma sequência de resultados negativos.

Criada em 2013, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), a Postal Saúde é responsável pela assistência médica, hospitalar e odontológica dos empregados dos Correios e de seus dependentes.

De acordo com as demonstrações financeiras da operadora, a maior parte do resultado negativo está relacionada ao reconhecimento de perdas de valores que não há expectativa de recebimento por parte dos Correios.

Ao todo, a Postal Saúde deixou de contabilizar aproximadamente R$ 865 milhões em receitas após avaliar que os recursos dificilmente seriam repassados pela estatal. A decisão ocorreu diante do cenário financeiro dos Correios, que acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo.

A administração da operadora informou que a provisão para perdas aumentou significativamente em 2025, passando de R$ 350,3 milhões registrados em 2024 para R$ 857,5 milhões no ano seguinte.

“No exercício de 2025, a despesa com provisão de perda alcançou R$ 857.466.468 milhões contra R$ 350.341 mil de 2024. A variação no grupo deve-se, sobretudo, à ausência de repasses financeiro por parte do Mantenedor, obrigando a Operadora reconhecer a possível perda”, afirmou a administração da Postal Saúde.

Apesar do prejuízo, a empresa informou que recebeu dos Correios, em 13 de janeiro deste ano, um aporte equivalente a aproximadamente metade dos valores pendentes. A operadora não divulgou o montante transferido, mas afirmou que o pagamento representou uma sinalização de retomada da regularidade dos repasses.

Segundo a Postal Saúde, o recurso permitiu o início de negociações para a quitação de débitos com a rede credenciada.

O desempenho financeiro da operadora oscilou nos últimos anos. Em 2019, a Postal Saúde registrou prejuízo de R$ 20,1 milhões, enquanto teve resultados positivos em 2020 (R$ 55 milhões), 2022 (R$ 245,6 milhões), 2023 (R$ 57 milhões) e 2024 (R$ 14,1 milhões). Em 2021, voltou ao negativo, com perda de R$ 16,1 milhões.

A Postal Saúde é mantida por contribuições dos cerca de 189 mil beneficiários, entre funcionários dos Correios e seus dependentes, além dos repasses mensais feitos pela estatal. Por isso, a situação financeira dos Correios tem impacto direto na operação do plano.

Nos últimos meses, beneficiários relataram dificuldades no atendimento em parte da rede credenciada. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que as reclamações contra o plano aumentaram 44% na comparação entre o primeiro semestre de 2024 e o período mais recente analisado.

Além do prejuízo operacional, a falta de repasses também afetou o patrimônio da Postal Saúde. As demonstrações financeiras indicam que os ativos da operadora — como recursos em caixa e valores a receber — caíram de R$ 557 milhões em 2024 para R$ 193 milhões em 2025, uma redução de 65%, equivalente a R$ 364 milhões.

Segundo a empresa, os recursos disponíveis precisaram ser utilizados para manter pagamentos e preservar o funcionamento dos serviços diante da falta de repasses dos Correios.

No mesmo período, o passivo da Postal Saúde, que reúne as obrigações financeiras da operadora, aumentou de R$ 568 milhões para R$ 1,1 bilhão, crescimento de aproximadamente 85%. E mais: Ex-ministro Barroso é internado em SP; Saiba detalhes (Foto: EBC; Fonte: G1)

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