Um levantamento realizado pelo Banco Central (BC) com dirigentes de 224 companhias não financeiras mostrou que a confiança do setor empresarial em relação à economia do país permanece baixa.
Segundo o relatório, a média das respostas ficou em torno de 70 pontos, em uma escala que vai de 0 (fortemente negativo) a 200 (fortemente positivo). O resultado coloca a percepção das empresas entre neutra e levemente desfavorável. “O índice construído com base nas respostas sugere deterioração significativa desde o primeiro trimestre de 2025”, destacou o BC.
O pessimismo surge no momento em que a autoridade monetária sinaliza que manterá a taxa básica de juros, a Selic, em 15% por um período prolongado, após um ciclo de forte alta. O Banco Central reforçou que vai observar os efeitos já acumulados da política monetária para avaliar se a estratégia será suficiente para trazer a inflação à meta.
De acordo com as expectativas dos executivos, a inflação deve fechar 2025 em 5% e 2026 em 4,5%, números compatíveis com as projeções do mercado captadas pela pesquisa Focus.
O estudo também revela que 75% das empresas utilizam a Focus como principal referência para suas projeções, seguidas por estimativas do próprio mercado financeiro (63%) e do Banco Central (58%).
Na avaliação para os próximos 12 meses, os empresários esperam alta de aproximadamente 4,5% nos custos com mão de obra e insumos, enquanto os preços praticados devem acompanhar o ritmo da inflação projetada. Quanto à rentabilidade, a expectativa é de estabilidade, com pontuação de 105 em uma escala de 200 pontos.
Sobre os reflexos da política comercial norte-americana, 41% afirmaram não perceber aumento da demanda externa, enquanto 15% observaram queda. Apesar disso, quase 80% dos entrevistados apontaram elevação da incerteza no cenário econômico.
O levantamento faz parte da pesquisa Firmus, conduzida pelo Banco Central. O relatório ressalta que os resultados precisam ser interpretados com cautela, já que o estudo ainda está em expansão e possui número limitado de rodadas. (Foto: Ministério da Fazenda; Fonte: Folha de SP)
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