Nova classificação do PCC e CV pode abrir caminho para ação militar dos EUA no Brasil

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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, reconhecido nacionalmente pela atuação contra o PCC, comentou os efeitos da decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (28) pelo governo americano e amplia instrumentos de sanções e ações internacionais contra as facções criminosas.

Integrante do Gaeco, grupo especializado do Ministério Público de São Paulo no combate ao crime organizado, Gakiya afirmou à CNN que a mudança pode trazer impactos diretos e alterar a dinâmica da cooperação entre autoridades dos dois países.




Segundo o promotor, quando uma organização recebe o selo de terrorismo pelo governo americano, o tema deixa de ser tratado prioritariamente como questão policial e passa a integrar a área de segurança nacional dos Estados Unidos.

“Quando há essa classificação, o Departamento de Estado passa a tratar do tema como assunto de ‘defesa’ e não mais como assunto de ‘polícia’ e, portanto, quem passa a ter responsabilidade sobre isso é a CIA e os Militares, saindo da esfera do FBI e da DEA por exemplo”, declarou.

Na avaliação de Gakiya, isso pode abrir margem para ações conduzidas sob a lógica militar e estratégica americana, inclusive fora do território dos Estados Unidos.




“Pode gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro, por exemplo uma ação militar em território brasileiro nos moldes das que foram feitas no México e na Venezuela, o que pode implicar em riscos à soberania nacional brasileira”, afirmou.

O promotor também explicou sobre possíveis barreiras na troca de informações entre instituições brasileiras e agências americanas. Segundo ele, o compartilhamento direto de dados pode se tornar mais lento e burocrático caso os conteúdos passem a ser classificados como secretos.

“Na prática também, esse troca de informações diretas que já ocorrem entre a PF e as Polícias americanas ou entre os MPs e as polícias pode ser dificultada porque as informações passam a ser classificadas como confidenciais ou secretas e dificilmente poderiam ser compartilhadas com agilidade e facilidade como já ocorrem hoje”, explicou.




Gakiya é considerado um dos principais especialistas do país no enfrentamento ao PCC. Nos últimos anos, tornou-se alvo de planos de assassinato atribuídos à facção criminosa e passou a viver sob forte esquema de segurança devido às ameaças.

O governo dos Estados Unidos confirmou que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras começará a valer a partir de 5 de junho. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que definiu as facções como algumas das organizações criminosas mais violentas da América Latina. E mais: Gleisi Hoffmann (PT) se revolta com decisão dos EUA contra PCC e CV. Clique AQUI para ver. (Foto: IA; Fonte: CNN)

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