O cenário político argentino viveu nesse domingo (26) um ponto de virada. Em meio à instabilidade cambial, o presidente Javier Milei viu seu partido, Liberdade Avança (LLA), obter uma vitória expressiva nas eleições legislativas de meio de mandato, conquistando mais de 40% dos votos em quase todo o país. O resultado fortalece o governo e surpreende analistas que previam uma disputa equilibrada.
Em pronunciamento após o pleito, Milei celebrou o desempenho e agradeceu aos eleitores que, segundo ele, “abraçaram as ideias de liberdade para tornar a Argentina grande novamente”, numa clara referência ao slogan do ex-presidente americano Donald Trump. Também agradeceu a Donald Trump.
“O povo argentino deixou a decadência para trás e optou pelo progresso. Hoje passamos por um ponto de virada. Hoje começa a construção de uma grande Argentina”, afirmou o presidente, classificando o domingo como “um dia histórico”.
Entre os agradecimentos, Milei citou sua irmã Karina Milei, secretária-geral da Presidência e alvo de acusações de corrupção, além de Santiago Caputo, seu principal estrategista político, a quem chamou de “dois gigantes”.
Do lado de fora do comitê do LLA, em Buenos Aires, apoiadores gritavam: “Milei, querido, o povo está contigo”. O resultado também trouxe alívio ao governo. Trump, que atua como fiador do resgate financeiro dos EUA à Argentina, havia condicionado parte do apoio econômico ao desempenho eleitoral de Milei.
Com 97,8% das urnas apuradas, o LLA conquistou 40,76% dos votos, garantindo 64 cadeiras na Câmara dos Deputados, que teve 127 das 257 vagas renovadas.
O bloco opositor Força Pátria, de linha peronista e centro-esquerda, ficou com 24,3% dos votos e 31 deputados. Já a coalizão Províncias Unidas obteve 5% e cinco cadeiras, enquanto a Frente de Esquerda conquistou 3,7% e três vagas.
Dos 24 distritos eleitorais, o partido de Milei venceu em 16, com destaque para Mendoza (53,8%), Entre Ríos (52,9%) e San Luis (51,5%). A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, também saiu vitoriosa ao ser eleita senadora pelo LLA.
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A eleição marcou ainda a recuperação do partido na capital Buenos Aires, onde havia sofrido uma derrota no mês anterior. Com 95% das urnas contadas, o LLA conquistou 17 das 35 vagas disponíveis. O Força Pátria obteve 16, e a Frente de Esquerda, duas.
A participação popular foi de 67,9%, um índice abaixo da média histórica argentina, tradicionalmente superior a 70%. Ainda assim, o resultado consolida o avanço do governo no Congresso: dos 257 deputados, o peronismo terá 97, enquanto o LLA assume 93 e o partido PRO, do ex-presidente Mauricio Macri, 14. No Senado, o peronismo segue à frente com 28 cadeiras, contra 20 do LLA e 6 do PRO.
Com esse desempenho, Milei amplia sua influência política e se aproxima do um terço necessário para blindar vetos e avançar em reformas estruturais.
A oposição, por sua vez, perde fôlego diante de um governo que, ao menos por enquanto, conseguiu converter o discurso de ruptura em força eleitoral real. (Foto: reprodução redes sociais; Fonte: UOL)
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