Nos bastidores do mercado político e financeiro, a movimentação de Paulo Guedes volta a chamar atenção não apenas pelo peso técnico do ex-ministro da Economia, mas também pelas possíveis leituras políticas que cercam seu novo ambiente de atuação.
A lembrança mais imediata para parte dos interlocutores é o período em que ele comandou a economia do governo Jair Bolsonaro, ocupando uma posição central na condução da agenda econômica entre 2019 e 2022. À época, Guedes formou uma das principais duplas do governo com o então presidente, acumulando protagonismo em decisões estruturais e na interlocução com o mercado.
E sempre fica a expectativa de que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o ex-ministro possa recuperar seu posto, que ocupou com maestria de 2019 a 2022.
Mas por enquanto, não. Isso porque A fintech britânica Revolut anunciou nessa quinta-feira (11) a entrada do ex-ministro da Economia Paulo Guedes em seu recém-criado conselho consultivo no Brasil. A estrutura foi criada para orientar os próximos passos da empresa no mercado brasileiro, especialmente em sua estratégia de expansão e fortalecimento regulatório.
Revolut é uma fintech global que oferece serviços bancários. Com sede em Londres, foi fundada em 2015 por Nikolay Storonsky e Vlad Yatsenko. Oferece contas globais, com câmbio instantâneo, cartões de débito, cartões virtuais, Apple Pay, “cofres” com juros, negociação de ações, criptomoedas, dentre outros serviços.
Segundo a companhia, a presença de Guedes tem como objetivo contribuir com sua experiência em macroeconomia e sua rede de contatos internacionais, em um momento em que a fintech amplia sua atuação no país e mira, no futuro, a obtenção de uma licença bancária.
“O ministro viveu momentos de crise, momentos de crescimento, liderou projetos de sucesso em vários bancos, desde a época do Pactual, passando pelo Bozano, além de empresas de educação. É um economista experiente e ainda teve a experiência no governo”, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, em entrevista ao NeoFeed. “Ele traz uma complementaridade técnica muito grande para nós.”
Além de Guedes, o conselho consultivo contará com outros dois nomes independentes. Uma delas é Ana Novaes, que já integrou conselhos ligados ao mercado financeiro. O outro é Luiz Henrique Lobo, com experiência em gestão de riscos no setor bancário.
O modelo de governança adotado pela fintech segue padrões já utilizados em outras operações globais da empresa. Além dos nomes externos, o grupo também contará com representantes da própria Revolut e outros executivos ainda a serem definidos.
A chegada de Guedes ocorre em paralelo a movimentos semelhantes no setor financeiro, como a contratação de Roberto Campos Neto pelo Nubank, que também buscou reforçar sua estratégia de expansão com figuras ligadas à regulação e à política econômica.
Presente no Brasil desde 2023, a Revolut opera atualmente sob licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que limita sua capacidade de captação e concessão de crédito a partir de depósitos do público. Ainda assim, a empresa tem ampliado sua oferta de serviços, incluindo conta multimoeda, Pix, investimentos e produtos de crédito.
Embora não divulgue números por país, a empresa afirma que o Brasil já figura entre os três mercados de maior crescimento global da operação.
O objetivo, segundo o CEO, é preparar a estrutura da companhia para uma futura transição regulatória. “É natural que o nosso próximo passo seja, assim como é a ambição da Revolut no mundo inteiro, evoluir para um arcabouço regulatório mais robusto”, disse Mota. “E aí entra a governança. A gente prefere estar um passo à frente do que o regulador exige.”
A expectativa é que o conselho possa, no futuro, assumir caráter mais formal dentro da estrutura da empresa, especialmente quando a fintech avançar no processo de solicitação de licença bancária junto ao Banco Central. E mais: Elon Musk se torna o primeiro trilionário do mundo. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: NeoFeed)

