Linha de crédito de Lula a entregadores tem taxa de juros de 12,5%

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O governo Lula anunciou nesta sexta-feira (12) uma nova linha de crédito destinada a entregadores que desejam adquirir motos e bicicletas elétricas. A iniciativa prevê empréstimos médios de R$ 20 mil por CPF, com prazo de 48 meses, dois meses de carência e juros fixados em 12,5% ao ano.

O programa, que integra o pacote Move Brasil, será aberto a trabalhadores cadastrados em plataformas digitais ou com registro formal há pelo menos seis meses. No caso dos trabalhadores de aplicativo, será exigida ainda a realização mínima de 100 entregas para participação.

Apesar do discurso oficial de ‘inclusão produtiva’, o desenho da política levanta questionamentos sobre o custo do crédito oferecido e o impacto da taxa de juros no longo prazo para quem já vive sob forte pressão de renda.

O financiamento será sustentado por recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que, na prática, transfere parte do risco para o setor público.

Embora apresentado como política de incentivo à mobilidade e à chamada “descarbonização” da frota, o programa também amplia a lista de linhas de crédito direcionadas pelo governo a diferentes categorias, em um movimento que já inclui motoristas de aplicativo, taxistas, caminhoneiros e setores do agronegócio e da indústria.

Para críticos, o desenho dessas iniciativas reforça um padrão de intervenção direta no crédito, com forte participação estatal e custos que, em última instância, acabam sendo repassados ao contribuinte e ao próprio tomador do empréstimo.

Não por acaso, o debate remete a experiências anteriores de forte expansão do crédito subsidiado no país, especialmente durante os governos Dilma Rousseff, quando políticas de estímulo via bancos públicos foram alvo de críticas por seus efeitos posteriores sobre endividamento e desequilíbrios fiscais.

Na prática, a nova linha chega em um cenário em que o trabalhador de aplicativo, já pressionado por custos operacionais e instabilidade de renda, passa a lidar com financiamentos de longo prazo atrelados a juros que podem pesar significativamente no orçamento mensal.

Segundo o governo, o objetivo é ampliar a produtividade do setor e facilitar o acesso a veículos mais modernos e menos poluentes. Ainda assim, a discussão sobre o equilíbrio entre incentivo estatal e responsabilidade fiscal deve seguir no centro do debate econômico. E mais: O novo emprego de Paulo Guedes. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio; Fonte: Folha de SP)

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