A Heineken anunciou a substituição de seu CEO global em um momento particularmente sensível para o setor cervejeiro. A saída de Dolf van den Brink ocorre enquanto o mercado brasileiro enfrenta uma das maiores retrações dos últimos anos, com queda relevante no consumo e margens cada vez mais comprimidas.
A mudança no comando levanta questionamentos entre analistas, sobretudo porque a companhia segue apostando em projetos de grande porte no Brasil.
Um dos principais exemplos é a nova fábrica de Passos, em Minas Gerais, que adiciona capacidade para produzir 5 milhões de hectolitros por ano, mesmo diante de um cenário de demanda em retração.
Os números recentes reforçam o alerta. No terceiro trimestre de 2025, os volumes globais da Heineken recuaram 4,3%, enquanto nas Américas a queda foi ainda mais acentuada, chegando a 7,4%. O desempenho negativo aumenta a pressão de investidores sobre a estratégia da companhia.
Dados da CervBrasil indicam que o consumo nacional caiu entre 6,5% e 7% até setembro. Para o fechamento de 2025, a entidade projeta uma retração total de 5% a 6%. Com isso, o mercado brasileiro deve passar de 15,5 bilhões para 14,7 bilhões de litros, configurando o pior desempenho em anos recentes.
Segundo o diretor-geral da CervBrasil, Paulo Petroni, a retração tem múltiplas causas. O clima menos favorável, com menos dias de calor intenso, temperaturas abaixo da média e a escassez de feriados prolongados prejudicaram as vendas ao longo do ano.
Além disso, novos hábitos de consumo também pesaram. “O dinheiro que seria da cerveja foi para as bets”, afirmou Petroni, ao citar o impacto das apostas esportivas no orçamento das famílias.
Diante do ambiente desafiador, a Heineken optou por segurar reajustes de preços entre abril de 2024 e julho de 2025. Posteriormente, aplicou um aumento médio de 6%, movimento interpretado pelo mercado como um sinal das dificuldades enfrentadas, especialmente no segmento premium.
A Ambev também sente os efeitos da retração, embora seu portfólio premium continue competitivo. Ainda assim, as duas gigantes disputam um mercado menor. Levantamentos da NielsenIQ mostram que, entre janeiro e novembro, as vendas de cerveja caíram 4%. A frequência de compra, porém, permaneceu estável. “O consumidor compra, mas leva menos litros por vez”, explicou Gabriel Fagundes, da NielsenIQ.
Há expectativa de melhora em alguns fatores adiante. Eventos como a Copa do Mundo, além de um calendário com mais feriados e temperaturas mais elevadas, podem estimular o consumo. Mesmo assim, especialistas seguem cautelosos.
Nesse contexto, a troca de liderança no comando global da Heineken simboliza os desafios enfrentados pela indústria cervejeira. O desempenho em 2026 deve ser determinante para definir os rumos do setor no Brasil. Entre em nosso grupo de WhatsApp AQUI e receba nossas notícias. (Foto: PixaBay; Fonte: BPMoney)

