A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (4.mar.2026) a terceira fase da Operação Compliance Zero, com a prisão do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em São Paulo.
Ele será conduzido à Superintendência da corporação na capital paulista. Em nota, a PF informou que a ação investiga “a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro André Mendonça, que na decisão afirmou que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo o magistrado, o banqueiro teria “participado da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
As investigações indicam ainda que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”.
Na operação, estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, é alvo de prisão. A PF informou que também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, totalizando até R$ 22 bilhões, com o objetivo de preservar ativos potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
A operação teve início em 18 de novembro de 2025. Nas duas fases anteriores, foram apreendidos 52 celulares, mais de R$ 2,6 milhões em espécie, um avião avaliado em R$ 200 milhões, 30 armas e veículos somando mais de R$ 25 milhões.
A investigação começou em 2024, a pedido do Ministério Público Federal, que apurava indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional e circulação de “ativos podres” para mascarar rombos financeiros.
O Banco Master, gestores e empresários ligados a fundos de investimento estão no centro das apurações. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Vorcaro já havia sido preso preventivamente na 1ª fase, mas foi solto em 28 de novembro pelo TRF-1, passando a cumprir medidas cautelares com tornozeleira eletrônica.
O banqueiro tinha depoimento marcado para esta quarta-feira na CPI do Crime Organizado, mas o ministro Mendonça havia retirado a obrigatoriedade de presença.
Em nota, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, afirmou que a sessão foi cancelada “em razão do não comparecimento dos depoentes convocados”.
Ele criticou a decisão do STF, dizendo que “na prática, esse tipo de decisão acaba permitindo que o próprio investigado escolha se quer ou não prestar esclarecimentos à sociedade, uma evidente inversão de papéis. Quem é convocado por uma CPI deveria comparecer justamente para explicar fatos que estão sob investigação”.
O parlamentar acrescentou que “a CPI seguirá firme no cumprimento de sua missão de investigar, esclarecer e dar respostas à sociedade sobre a atuação do crime organizado e suas conexões”.
Jornalista
A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, planejava ações contra quem considerava seu adversário. As conversas embasaram o pedido da PF ao Supremo para que o banqueiro fosse preso novamente.
O banqueiro integrava um grupo chamado “A Turma”, em um aplicativo de conversas. No grupo, a PF encontrou diálogos sobre ações contra supostos adversários do banqueiro — entre eles, jornalistas.
Vorcaro também se valia do serviço de policiais aposentados para o monitoramento de adversários, segundo a investigação.
A PF também encontrou, no celular de Vorcaro, mensagens que citam plano de assalto para intimidar um jornalista — o nome da vítima não foi revelado oficialmente.
Porém, segundo a Globo News, o jornalista seria Lauro Jardim, do grupo Globo. E mais: Mendonça retira obrigação do dono do Master de comparecer à CPI. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fontes: Poder360; UOL)

