Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm mantido conversas reservadas sobre possíveis caminhos para amenizar o desconforto interno e externo provocado pela condução das investigações envolvendo o Banco Master pelo ministro Dias Toffoli. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
A atuação do relator passou a ser alvo de críticas de integrantes da Polícia Federal e de investigadores ligados ao caso, especialmente após decisões como a redução do prazo para a coleta de depoimentos e a definição de procedimentos considerados atípicos. O tema também gerou ruído dentro do próprio Supremo, onde magistrados passaram a questionar métodos adotados ao longo da apuração.
Segundo a reportagem, uma das hipóteses discutidas seria uma eventual declaração de suspeição de Toffoli, provocada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Outra possibilidade levantada nos bastidores é o envio do processo para a primeira instância, caso se conclua que não há justificativa para manter o caso no STF com base em foro privilegiado.
Apesar disso, ministros avaliam como remota a chance de Toffoli se declarar suspeito ou impedido por iniciativa própria. A avaliação predominante, no momento, é de que o processo siga tramitando normalmente no Supremo, sob relatoria do ministro, com a expectativa de que a pressão diminua com o passar do tempo.
Entre as alternativas apontadas para reduzir o desgaste institucional está também o avanço na aprovação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores.
A leitura interna é de que a discussão ganhou força e pode servir como resposta às críticas direcionadas à Corte no contexto do caso Master.
Conforme mostrou O Globo, o presidente do STF, Edson Fachin, tem se envolvido pessoalmente nas articulações em torno do tema, inclusive durante o recesso do Judiciário.
A PGR já foi acionada sobre a possível suspeição de Toffoli, ainda que por iniciativa de terceiros. Na segunda-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu uma representação do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que pediu a análise de eventual conflito de interesses na atuação do ministro. No passado, a PGR chegou a levantar questionamentos semelhantes contra integrantes do Supremo, mas sem avanço concreto.
Nos bastidores do tribunal, um dos pontos que mais incomodaram colegas de Toffoli foi o atrito com a Polícia Federal durante a condução das investigações.
A tensão ficou mais evidente quando o ministro reduziu de cinco para dois dias o prazo para a realização de depoimentos, sob o argumento de que as oitivas já estavam autorizadas desde dezembro e de que havia limitações operacionais no STF. Ele também determinou que a PF apresentasse um novo cronograma para os interrogatórios.
Outro foco de conflito envolveu o tratamento das provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, Toffoli determinou que todo o material fosse lacrado e mantido sob guarda do Supremo. Posteriormente, autorizou a participação de peritos por ele indicados no processo de extração de dados, sob supervisão da PGR.
O Banco Master foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, após a constatação de irregularidades em operações financeiras. As investigações conduzidas pela Polícia Federal apuram suspeitas de fraudes e possíveis crimes financeiros envolvendo a instituição e seus dirigentes. E mais: Defesa de Carla Zambelli quer troca de juízes na Justiça da Itália. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: O Globo)

