Uma declaração feita por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023 ganhou novo significado diante das mensagens atribuídas a ele e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que vieram a público no âmbito das investigações sobre a instituição financeira.
Durante o evento “Encontros Piauí”, promovido pela revista Piauí em junho daquele ano, Moraes foi questionado sobre a transparência nas conversas mantidas por um juiz. Na ocasião, o ministro afirmou que o conteúdo das comunicações deveria obedecer a critérios de legalidade e caráter republicano.
“A conversa tem que ser LÍCITA, uma conversa REPUBLICANA, mas qual é a transparência? Tem muita hipocrisia nisso, porque, se você quiser, você conversa pelo WhatsApp. Ninguém vai ficar sabendo, a gente acha… EU NÃO CONFIO.”
Na sequência, ao explicar sua relação com o aplicativo, Moraes afirmou que mantinha uma postura extremamente restritiva e que praticamente não utilizava o WhatsApp para conversas relevantes.
“Não confio no WhatsApp. Eu só falo: ‘Oi, tudo bem? Boa tarde‘.”
A fala voltou a circular agora em meio à divulgação de informações sobre o relacionamento entre Moraes e Vorcaro.
Segundo documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal, o ex-banqueiro enviou comunicações a um número associado ao ministro. Parte delas teria sido encaminhada pelo recurso de visualização única do WhatsApp, que faz com que o conteúdo desapareça depois de aberto. A PF conseguiu, contudo, identificar rastros que permitiram relacionar as mensagens ao contato atribuído a Moraes.
O material passou a integrar a crise envolvendo o caso Master, especialmente após o ministro André Mendonça determinar a divulgação de documentos relacionados às apurações.
Entre as mensagens reveladas estão comunicações nas quais Vorcaro teria buscado informações e mencionado questões relacionadas à situação do banco e às investigações que atingiam a instituição.
A repercussão se deve justamente ao contraste com a declaração dada por Moraes anos antes. Naquela ocasião, o ministro tratava o WhatsApp como um meio de comunicação no qual não depositava confiança e dizia restringir seu uso a contatos banais. Agora, o aplicativo aparece como um dos elementos centrais para a reconstrução da relação mantida entre ele e Vorcaro.
Repórter pergunta sobre a transparência nas conversas de um juiz.
Alexandre de Moraes responde:
“A conversa tem que ser LÍCITA, uma conversa REPUBLICANA, mas qual é a transparência? Tem muita hipocrisia nisso, porque, se você quiser, você conversa pelo WhatsApp. Ninguém vai… pic.twitter.com/jEykZkBJv2
— Enio Viterbo (@EnioViterbo) September 12, 2026

