O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 5,95 milhões em bens e valores no âmbito da investigação que apura a relação do senador petista Jaques Wagner (PT-BA) com pessoas ligadas ao Banco Master.
O montante, porém, não corresponde exclusivamente ao patrimônio do senador. Trata-se do limite global estabelecido para a medida cautelar envolvendo 16 investigados. A decisão está na Petição 16.230, cujo sigilo foi retirado, e integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero.
Entre os bens atingidos pela decisão está um apartamento de alto padrão no empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões. Segundo a Polícia Federal, o imóvel estaria destinado a Wagner.
A determinação de Mendonça não se restringe ao apartamento propriamente dito. Também foram alcançados eventuais direitos de aquisição, cessões, promessas de compra e venda e outros direitos econômicos relacionados à unidade.
A PF investiga a possibilidade de Wagner ter recebido vantagens econômicas, direta ou indiretamente, de integrantes do grupo ligado ao Banco Master. A apuração também identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar do senador.
O apartamento
De acordo com os investigadores, Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima, apontado como gestor ligado ao Master, informações sobre o apartamento 1702 do Poème Horto. Entre os dados enviados estavam o contato do corretor, a identificação da unidade e o valor de R$ 2,45 milhões.
A aquisição formal do imóvel teria sido realizada pela Epítome S.A., utilizando recursos provenientes de estruturas de fundos relacionadas ao grupo investigado. Para a Polícia Federal, a operação apresenta indícios de que terceiros teriam sido utilizados para ocultar a identidade do suposto beneficiário final.
Em outro momento, Wagner teria encaminhado a Augusto mensagens atribuídas a um de seus filhos, nas quais eram solicitadas informações sobre o proprietário formal do apartamento. Os dados seriam necessários para a emissão de documentação relacionada a alterações na unidade.
Na avaliação de Mendonça, o conjunto dessas informações dá plausibilidade à hipótese investigada pela PF de que o imóvel estaria formalmente registrado em nome de um terceiro, embora tivesse como possível beneficiário o senador.
Repasse de R$ 3,5 milhões
A investigação também se concentra em uma operação financeira envolvendo a BN Financeira. Em outubro de 2025, a empresa recebeu R$ 3,5 milhões transferidos pela PKL One Participações.
Segundo a decisão, a PKL One estaria vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima e era administrada por Andréa Lima Novaes.
Os investigadores também encontraram planilhas com registros de pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”. Para a PF, o nome faria referência a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e ligado à BN Financeira.
Outras vantagens sob investigação
Além do apartamento e da movimentação financeira, a Polícia Federal cita outros benefícios que, segundo a investigação, teriam sido oferecidos ao senador. Entre eles estão o uso de aeronaves associadas a Augusto Lima ou ao Banco Master e a aquisição de ingressos de alto valor para eventos no exterior.
Em um dos episódios descritos nos autos, Augusto teria disponibilizado uma aeronave particular para transportar Wagner e familiares entre Salvador e a chamada Ilha da Paixão.
Em outra situação, ingressos para um show realizado em Los Angeles teriam sido adquiridos pela Reag Investimentos por R$ 63,3 mil para familiares do senador.
A atuação de Wagner em assuntos de interesse do Master também é analisada pelos investigadores. Entre os temas mencionados estão alterações relacionadas ao crédito consignado, discussões envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas de fiscalização sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
As suspeitas fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal e ainda dependem do avanço das apurações e da manifestação dos envolvidos. A decisão de Mendonça estabelece medidas cautelares sobre o patrimônio dos investigados, mas não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal. (Fonte: TMC)
