A instalação da CPMI do INSS terminou em revés para o governo, provocando uma reação imediata no Palácio do Planalto. Pouco depois da derrota, Lula (PT) recebeu no Alvorada o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para uma conversa de cerca de 40 minutos.
Paralelamente, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chamou líderes aliados para uma reunião de emergência no Planalto.
O estopim foi a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG), da oposição, para a presidência da comissão, e do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como relator.
A escolha derrubou a estratégia do governo, que contava com Omar Aziz (PSD-AM) na condução dos trabalhos para reduzir o impacto político da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS. No Planalto, prevalecia o temor de que a máxima se repetisse: “uma CPI se sabe como começa, mas não como termina”.
A derrota também atingiu os presidentes do Senado e da Câmara. Aziz era uma indicação de Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto Motta havia lançado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) como relator.
O nome de Ayres chegou a ser anunciado nas redes sociais, mas foi descartado quando a oposição conquistou o controle do colegiado. Ao final da votação, deputados oposicionistas entoaram gritos contra o PT: “Olê, olê, olê, olê, vamos pra rua para derrubar o PT”, enquanto governistas buscavam entender o que havia acontecido.
Entre os governistas, houve críticas ao MDB. Renan Calheiros (MDB-AL) e Rafael Brito (MDB-AL) não votaram, e no lugar deles entraram suplentes do PL, o que ampliou a vantagem da oposição.
A situação levou Gleisi a convocar reunião com os senadores Rogério Carvalho (PT-MG) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), além dos deputados José Guimarães (PT-CE), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Além da cobrança, o encontro busca traçar estratégias para os próximos passos. Sem o comando da CPMI, o governo avalia que estará mais exposto a convocações incômodas, como a do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) e até de Frei Chico, irmão de Lula.
A preocupação é que o foco da investigação recaia diretamente sobre a atual gestão, apesar de o escândalo ter começado ainda no governo Michel Temer (MDB) e se ampliado durante Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Ag. Câmara; Fonte: UOL)

