A circulação de um vídeo gravado nos bastidores de uma edição do Domingão, da TV Globo, provocou forte repercussão nas redes nesta semana.
Nas imagens, registradas durante uma visita ao Parque Indígena do Xingu, Luciano Huck aparece pedindo que integrantes da comunidade retirem de cena celulares e pessoas vestindo roupas consideradas “comuns”.
O material foi gravado enquanto a equipe do programa preparava uma foto no local, numa viagem em que o apresentador estava acompanhado da cantora Anitta.
No trecho que viralizou, Huck pede que alguns membros da aldeia saiam do quadro caso estejam utilizando elementos que não se encaixariam no conceito visual planejado para a gravação.
Em tom de orientação, ele comenta: “Limpa a cultura de vocês aí”, enquanto solicita que os telefones não apareçam na imagem. Em outra fala, o apresentador afirma que “quanto mais celulares aparecem, menos é a cultura de vocês”, relacionando a presença dos aparelhos ao que seria uma interferência na estética da cena.
O pedido se repete em seguida, quando Huck tenta alinhar a linguagem visual da gravação com líderes da aldeia: “Quanto mais a gente conseguir preservar nossas cenas sem celular… Quando aparece vocês de celular, acho que mexe na cultura original. Quando tiver gravando, se puder ‘segurar’ o celular. […] Se puder falar isso para o povo é bom”, diz o comunicador, orientando que os aparelhos fiquem guardados ao longo do processo.
As imagens, divulgadas por páginas e perfis de monitoramento de mídia, geraram críticas nas redes, especialmente entre usuários que apontaram uma tentativa de “enquadrar” os indígenas em uma representação idealizada — mais próxima da estética televisiva do que da realidade cotidiana das comunidades do Xingu, onde o uso de celulares é comum e incorporado à rotina.
Diante da repercussão (a gravação foi em meados de agosto), Huck divulgou um comunicado afirmando que o episódio não teve relação com qualquer restrição cultural. Em nota enviada ao Splash/UOL, o apresentador declarou que a orientação fazia parte exclusivamente de um ajuste técnico da produção. (continua)
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(segue) Segundo ele, o pedido foi motivado por uma “decisão de direção de arte”. Ele reforçou que “não se tratou de impor qualquer tipo de limitação cultural ou de consumo”, e descreveu a situação como “um ajuste pontual dentro do contexto de um set de filmagem, nada além disso”.
A gravação ocorreu na aldeia Ipatse, pertencente ao povo Kuikuro, em Querência (MT). Huck e Anitta foram ao local para acompanhar o Kuarup, importante ritual funerário que reúne diversas etnias do Alto Xingu em homenagem a parentes e lideranças já falecidas.
O encontro é um dos eventos culturais mais tradicionais da região e costuma atrair visitantes, pesquisadores e emissoras interessadas em registrar o cerimonial. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra o apresentador Luciano Huck tirando foto ao lado de indígenas do Xingu, no Mato Grosso, e dando ordens aos nativos para que retirassem roupas consideradas “não tradicionais” e que removessem aparelhos eletrônicos das fotografias.… pic.twitter.com/fv7ZUtRtWJ
— VEJA (@VEJA) December 5, 2025

