O julgamento de Ryan Routh, acusado de tentar assassinar Donald Trump durante uma partida de golfe em 2024, ganhou contornos inusitados logo na fase de seleção dos jurados.
Na segunda-feira (8), a juíza federal Aileen Cannon, responsável pelo caso, rejeitou uma série de perguntas propostas pelo réu, que decidiu atuar em sua própria defesa após dispensar os advogados.
Entre os questionamentos sugeridos por Routh, de 59 anos, estavam como os jurados lidariam ao ver “uma tartaruga atravessando a rua” enquanto dirigiam, suas opiniões sobre o ativismo estudantil pró-Palestina e até o que pensavam da ideia de Trump de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia.
Cannon foi categórica ao afirmar que “todas elas estão realmente erradas e não têm relevância para o processo de seleção do júri”, segundo informou a ABC News.
Sem ter uma profissão definida e sem qualquer formação jurídica, Routh insistiu na utilidade de suas perguntas, mas foi interrompido diversas vezes pela magistrada, que exigiu que seguisse as regras aplicadas a qualquer advogado em seu tribunal.
O réu permanecerá nos próximos dias em Fort Pierce, Flórida, acompanhando a triagem de cerca de 180 candidatos a jurados até que se chegue a 12 titulares e quatro suplentes. A previsão é que os argumentos de abertura comecem na quinta-feira (11), e o julgamento deve durar cerca de um mês.
Durante a audiência, Routh comunicou que duas testemunhas de sua lista não poderiam comparecer: uma estaria em viagem internacional e outra temia ser deportada para a Costa Rica caso depusesse.
Ele também já apresentou documentos considerados excêntricos, como uma proposta de “jogo de golfe de alto risco” contra Trump, em que o ex-presidente poderia executá-lo em caso de vitória, enquanto ele, se ganhasse, assumiria o cargo presidencial. Em outra ocasião, enviou carta da prisão à juíza sugerindo ser usado em uma troca de prisioneiros com países como Hamas, Irã, China ou Rússia.
Mesmo com o ‘comportamento incomum’, Cannon reforçou que Routh deverá seguir as normas do tribunal. Ela determinou que ele use roupas formais, faça suas falas no púlpito e conduza perguntas dentro dos limites legais.
A magistrada também alertou que agentes de segurança estarão atentos a “qualquer movimento repentino”, já que armas e munições da tentativa de assassinato serão apresentadas como evidência. Embora tenha dispensado a defesa em julho, Routh terá advogados de prontidão, conforme decisão judicial.
Preso em uma penitenciária federal em Miami, ele se declarou inocente de cinco acusações, incluindo a de ter ficado 12 horas escondido em posição de atirador próximo ao Trump International West Palm Beach, em 15 de setembro de 2024, quando Trump ainda era candidato republicano.
A denúncia aponta que um agente do Serviço Secreto percebeu o fuzil SKS de Routh e atirou antes que ele pudesse disparar contra o ex-presidente, o que o fez fugir do local. Caso seja condenado, pode enfrentar prisão perpétua.
O caso está nas mãos da mesma juíza que arquivou o processo contra Trump relacionado ao suposto armazenamento de documentos confidenciais em Mar-a-Lago, após concluir que o advogado especial Jack Smith teria sido nomeado de forma irregular.

