A Itália decidiu suspender temporariamente a livre circulação de pessoas com a Espanha após o aumento da chegada de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte da África. A medida foi oficializada nesta sexta-feira (31) pelo ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, e envolve o bloqueio temporário das fronteiras marítimas e aéreas entre os dois países.
Com a decisão, fica interrompido o funcionamento normal do acordo de Schengen entre Itália e Espanha, que permite a circulação de pessoas sem controles fronteiriços internos entre os países participantes.
A suspensão já havia sido anunciada na noite de quinta-feira (30) pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e pelos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini, após milhares de migrantes chegarem à região de Ceuta, território espanhol situado no continente africano.
O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmou que a medida está prevista nos tratados europeus e representa uma resposta necessária diante do aumento da pressão migratória.
“Trata-se de uma medida prevista nos tratados e que se tornou agora inevitável. A crise migratória em Ceuta lembra-nos que a gestão das fronteiras da União é uma responsabilidade partilhada entre os nossos países, uns para com os outros. Temos de trabalhar em conjunto para impedir que fluxos descontrolados de migrantes entrem no território da UE, juntamente com todos os riscos daí decorrentes e a ameaça do terrorismo, que deve ser combatida sem hesitação”, declarou.
O governo italiano argumenta que a suspensão tem como objetivo proteger a segurança dos cidadãos e fortalecer o controle das fronteiras externas da União Europeia.
A decisão provocou reação do primeiro-ministro espanhol de esquerda, Pedro Sánchez. Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que a cooperação entre países europeus deve respeitar os compromissos firmados dentro da União Europeia. “A solidariedade e empatia são opcionais, mas o respeito pelos tratados e dados europeus não é”, escreveu Sánchez.
A medida foi adotada mesmo após o Ministério do Interior da Espanha informar que mais de 37,5 mil imigrantes que entraram irregularmente em Ceuta já haviam sido devolvidos para o Marrocos.
A chegada em massa de migrantes levou o governo espanhol a reforçar a segurança na região, com o envio de aproximadamente 400 agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil, além de militares das Forças Armadas.
Segundo estimativas divulgadas pelas autoridades, cerca de 60 mil pessoas tentaram atravessar a fronteira entre Marrocos e Ceuta, muitas delas pelo mar. Durante as tentativas de travessia, mais de 50 pessoas morreram.
O Espaço Schengen é um acordo europeu que eliminou controles de fronteira entre grande parte dos países participantes, permitindo que cidadãos e visitantes circulem entre esses territórios sem a necessidade de apresentar passaporte nas fronteiras internas.
Apesar da suspensão temporária ser permitida pelos próprios tratados europeus em situações consideradas excepcionais, a decisão representa uma medida incomum entre países integrantes da área de livre circulação. E mais: Agora: Defesa de Daniel Silveira responde Alexandre de Moraes; Saiba detalhes (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)
ESPAÑA: CEUTA PIDE CERRAR LA FRONTERA POR LA LLEGADA MASIVA DE MIGRANTES DE MARRUECOS
Más de mil jóvenes marroquíes se congregaron en la frontera con Ceuta para intentar ingresar al enclave español, y cientos lograron superar las barreras de protección, que en ese momento no… pic.twitter.com/Mx0LuQwMW2
— Clarín (@clarincom) July 30, 2026

