A Randa, indústria de portas, molduras e compensados situada em Bituruna, no sul do Paraná, anunciou a suspensão temporária das atividades para todos os seus 800 empregados, que entrarão em férias coletivas.
A medida é consequência direta da tarifa de 50% aplicada aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, determinada pelo governo Donald Trump; o presidente norte-americano justificou déficit comercial entre Brasil x EUA e também denúncias de violações à liberdade de expressão pelo Judiciário, assim como o julgamento do ex-presidente Bolsonaro.
O diretor-presidente da empresa, Guilherme Ranssolin, informou que 55% de toda a produção é destinada ao mercado norte-americano. Com a nova taxação, todos os pedidos vindos dos EUA foram cancelados.
“O impacto foi imediato, e a alternativa encontrada para não partir para cortes no quadro de pessoal foi adotar férias coletivas”, explicou.
O esquema será feito em rodízio: cerca de 400 colaboradores já estão afastados há duas semanas e o restante deixará as funções quando o primeiro grupo retornar. Atualmente, metade das linhas de produção está parada e parte do estoque permanece sem embarque por falta de destino comercial.
A medida não é exclusiva da Randa. Outras empresas paranaenses ligadas ao setor madeireiro também estão adotando estratégias para minimizar perdas.
Bituruna, com aproximadamente 15,6 mil habitantes, depende fortemente da indústria da madeira. Para moradores como Marcela Dal Gallo, supervisora de exportação da fábrica, a incerteza afeta toda a economia local. “A loja do meu pai é de brinquedos e presentes e a da minha mãe, de material de construção. Quando a renda cai, as pessoas priorizam comida e remédio antes de pensar em gastar com outras coisas”, disse.
Segundo dados da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), o estado exportou para os EUA, em 2024, cerca de US$ 1,58 bilhão — sendo US$ 1,19 bilhão provenientes de setores como madeira, móveis, carnes, café, pescados, couro, calçados, papel e celulose, entre outros. Esses segmentos sustentam mais de 380 mil empregos diretos e outros 240 mil indiretos.
Entre janeiro e junho deste ano, as vendas do Paraná para o mercado norte-americano somaram US$ 735 milhões. Estimativas da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) apontam que o setor madeireiro, sozinho, garante cerca de 400 mil postos de trabalho diretos e indiretos no estado.
Em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 627 milhões em produtos florestais, como molduras, compensados, madeira serrada e diferentes tipos de celulose. Porém, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), a maioria desses itens não foi incluída nas isenções do “tarifaço”.
“A maior parte dos produtos do setor, especialmente os oriundos de florestas plantadas, ficou fora da lista de exceções. A interpretação preliminar é que haverá um acréscimo de 40% sobre a alíquota de 10% já existente desde abril”, afirmou a entidade, ressaltando que ainda aguarda as diretrizes oficiais da Customs and Border Protection (CBP), órgão aduaneiro norte-americano, para confirmar os procedimentos. (Foto: site oficial; Fonte: G1)
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