A possibilidade de enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas tem gerado “preocupação” entre integrantes da alta cúpula do Exército, conforme reportagem da Folha de SP. Nos bastidores, oficiais-generais avaliam que a medida, atualmente debatida no Congresso Nacional por meio do chamado PL Antifacção, pode supostamente criar precedentes para pressões e intervenções externas ‘sob o argumento’ do combate ao crime organizado.
Segundo relatos de cinco oficiais-generais ouvidos sob condição de anonimato pelo jornal paulista, a equiparação entre facções e grupos terroristas poderia ser utilizada por potências estrangeiras para justificar ações mais incisivas em relação ao Brasil. A preocupação ganhou força após integrantes os EUA defenderem a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Dentro das Forças Armadas existe a avaliação de que Washington tem adotado uma postura cada vez mais dura no combate ao narcotráfico no continente americano, utilizando esse discurso para ampliar sua presença militar em países da região. A Venezuela é apontada como exemplo dessa estratégia. O governo norte-americano passou a tratar grupos criminosos venezuelanos ligados ao tráfico internacional, como o Tren de Aragua, como organizações terroristas.
Nesse contexto, autoridades militares brasileiras observam que a justificativa de combate ao tráfico tem servido para sustentar o posicionamento de navios de guerra e porta-aviões dos Estados Unidos em áreas próximas ao território venezuelano. Além disso, a presença militar americana é vista como um instrumento de pressão contra o governo de Nicolás Maduro, em meio a especulações sobre possíveis operações terrestres no país vizinho.
A posição do Exército já é conhecida por parlamentares envolvidos nas discussões sobre o projeto de lei. A proposta estava prevista para ser apreciada pela Câmara dos Deputados, mas, após sucessivas alterações promovidas pelo relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), a votação foi adiada e deve ocorrer em nova data.
O tema também provocou desconforto durante a visita ao Brasil do então comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, almirante Alvin Holsey. Antes da viagem, representantes da embaixada americana solicitaram uma visita ao 4º Batalhão de Infantaria de Selva, em Rio Branco (AC), unidade responsável pela vigilância de áreas de fronteira com Peru e Bolívia.
No pedido encaminhado às autoridades brasileiras, os americanos afirmaram que “A visita oferece uma oportunidade de obter uma visão direta dos desafios e das ameaças presentes na região de fronteira compartilhada entre Brasil, Peru e Bolívia, especialmente aqueles relacionados ao”.
O requerimento chamou atenção por fugir do protocolo habitual. Tradicionalmente, chefes do Comando Sul visitam comandos militares regionais, liderados por generais de quatro estrelas, e não unidades subordinadas a oficiais de menor patente.
O Exército rejeitou a solicitação alegando falta de tempo hábil para organizar a agenda e preparar a unidade para receber a comitiva estrangeira. Como alternativa, foi oferecida uma visita ao Comando Militar da Amazônia, em Manaus, proposta que acabou sendo recusada pelos norte-americanos.
Meses depois, Alvin Holsey deixou o comando da estrutura militar dos Estados Unidos voltada para a América Latina. Reportagem do jornal New York Times apontou que a saída antecipada estaria ligada às tensões envolvendo a Venezuela. E mais: Humorista da Globo é alvo de assalto: ‘rasparam minha conta’. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

