Governo Lula negocia cargos e emendas para garantir aprovação de Messias

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O governo Lula acelerou, nos últimos dias, a ofensiva política para garantir a aprovação do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A reportagem é da Folha de SP.

A votação está prevista para esta quarta-feira (29) no Senado, em meio a um cenário de resistência e negociações intensas envolvendo cargos e recursos públicos.

A articulação é liderada pelo ministro José Guimarães, que assumiu a coordenação política do governo neste mês com a missão de destravar a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O parlamentar tem demonstrado pouca disposição em apoiar a indicação, já que preferia ver o senador Rodrigo Pacheco no posto.

De acordo com a reportagem, para contornar a resistência, emissários do Planalto passaram a negociar a ocupação de vagas em agências reguladoras e a liberação de emendas parlamentares — especialmente as do tipo RP2, que dependem da execução discricionária do Executivo.

Nos bastidores, a divisão de cargos em órgãos como Comissão de Valores Mobiliários, Agência Nacional de Aviação Civil e Agência Nacional de Mineração entrou no pacote de negociações, além de postos no Serviço Geológico do Brasil.

Oficialmente, explica a Folha de SP, aliados do governo afirmam que as tratativas buscam melhorar o relacionamento institucional com o Senado. Na prática, porém, a movimentação ocorre às vésperas da votação e é vista como tentativa de consolidar apoio ao indicado.

Interlocutores relatam que Davi Alcolumbre diminuiu a resistência aberta ao nome de Messias, mas ainda evita atuar diretamente pela aprovação. Há também esforço para promover um encontro entre ele e o indicado, embora o senador resista à agenda.

A base governista calcula hoje contar com ao menos 45 votos favoráveis — número suficiente para aprovação, que exige maioria absoluta de 41 dos 81 senadores. Ainda assim, aliados admitem sinais recentes de desmobilização, o que mantém o cenário em alerta.

Do outro lado, a oposição atua para barrar a indicação. Partidos como PL, Novo e Avante, que somam 18 senadores, já fecharam posição contrária.

A rejeição também avança dentro da bancada evangélica, reduzindo um dos trunfos de Messias, que é ligado a esse grupo religioso.

Senadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro veem possibilidade real de derrota do governo. Caso isso ocorra, será um episódio raro: a última rejeição de um indicado ao STF remonta a 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

Apesar das dificuldades, Messias conta com apoio de ministros da própria Corte, como André Mendonça, que também enfrentou resistência no Senado quando foi indicado. Ele tem atuado nos bastidores para reduzir a rejeição, especialmente entre parlamentares conservadores.

Enquanto a votação se aproxima, o caso expõe o custo político da indicação e reforça a dependência do governo de negociações amplas — que vão além do mérito do indicado — para garantir apoio no Senado. E mais: INSS limita número de pedidos de aposentadoria. Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: Folha de SP)

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