O governo Lula firmou contratos para utilização de navios durante a COP30 por intermédio de uma agência de turismo cujo proprietário mantém relação empresarial com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A informação consta em documento da Casa Civil que detalha a operação e foi revelada pelo Metrópoles.
De acordo com reportagem, a contratação dos cruzeiros foi realizada pela Secretaria Especial da COP30, vinculada à Casa Civil, com apoio da Embratur, responsável por intermediar o processo.
A operadora escolhida foi a ‘Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda’, encarregada de viabilizar a hospedagem de delegações no evento.
O documento oficial descreve a cadeia de contratações: “Para tais fins [disponibilização de cabines em cruzeiros], a União, por meio da Secop, contratou os serviços da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur)”.
E segue: “A Embratur subcontratou a operadora turística Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., que, por sua vez, celebrou contratos com as empresas armadoras Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros”.
A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Vorcaro no hotel de alto padrão Botanique, localizado em Campos do Jordão, interior de São Paulo, ainda de acordo com o Metrópoles.
Enquanto o banqueiro costuma associar o empreendimento à empresa Prime You, Cohen já declarou publicamente ser proprietário do hotel.
A conexão entre a empresa contratada e o banqueiro vai além do setor hoteleiro.
A Qualitours integra a holding BeFly, criada em 2021 por Cohen, que teve expansão impulsionada por recursos ligados ao Banco Master.
Segundo reportagens, fundos associados à instituição financeira teriam sido utilizados para aquisições dentro do grupo, incluindo empresas como Flytour e Queensberry.
Ainda conforme apuração jornalística, um relatório de inteligência financeira (RIF) identificou uma movimentação em dinheiro vivo de R$ 6 milhões entre o Banco Master e uma empresa de Cohen, realizada em novembro de 2024.
Em resposta ao Metrópoles, a Embratur afirmou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público, ressaltando que a empresa apresentou toda a documentação exigida para comprovar sua capacidade técnica e regularidade.
A agência também negou qualquer participação do Banco Master na contratação e informou que a estrutura financeira foi garantida pelo BTG Pactual.
A entidade destacou ainda que o modelo adotado passou por análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que validou o processo.
“O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular. No Acórdão 756/2026, o tribunal considerou ‘a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram’.
Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou ‘economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto’”, informou a agência.
Em nota, a BeFly declarou que o Banco Master atuou apenas como fornecedor de crédito entre 2021 e 2023, sem irregularidades.
“A BeFly reitera que o Banco Master atuou como instituição provedora de linhas de crédito contratadas entre 2021 e 2023 para apoiar parte do ciclo de aquisições da companhia, em conjunto com recursos próprios gerados pela operação. Esses compromissos seguem sendo regularmente honrados. A companhia reitera sua operação sólida e autonomia financeira, sem conexão com qualquer irregularidade”.
Já a Qualitours afirmou que foi contratada dentro das normas legais e técnicas para operar os navios durante a conferência.
“A Qualitours informa que foi contratada pela Embratur para operar navios de hospedagem de apoio à COP, em processo regular e compatível com as exigências técnicas do projeto. A empresa reafirma a conformidade da contratação e dos serviços”, declarou. (Foto: Palácio; Fonte: Metrópoles)

