Em reportagem exclusiva, a colunista Débora Bergamasco, da CNN, revelou os bastidores de uma conversa tensa entre aliados do ex-presidente Bolsonaro (PL) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O encontro ocorreu na segunda-feira (28), um dia antes da divulgação oficial das sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da chamada Lei Magnitsky.
Segundo a colunista, o encontro foi intermediado pelo ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e contou com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). A reunião, que durou cerca de duas horas e meia, foi descrita como “dura e ruim” por fontes ouvidas pela CNN.
Durante o jantar, os aliados de Bolsonaro sugeriram que o envio das ações da suposta “trama golpista” à primeira instância da Justiça — especialmente aquelas que envolvem o próprio ex-presidente — poderia ajudar a conter a escalada da crise institucional. “A conversa ocorreu na segunda-feira (28), durante um encontro pedido por Gilmar”, relatou a colunista.
Outro ponto importante da reunião, segundo Débora Bergamasco, foi a informação repassada ao ministro Gilmar Mendes de que o governo dos Estados Unidos aplicaria sanções nos próximos dias contra autoridades brasileiras.
“Gilmar foi avisado de que o governo americano aplicaria a Lei Magnitsky nos dias seguintes contra autoridades brasileiras, tendo Alexandre de Moraes e possivelmente outros ministros do Supremo como alvos”, escreveu a jornalista.
Ainda conforme a reportagem, diante da possibilidade de sanções, Gilmar teria afirmado que o STF poderia determinar que instituições financeiras brasileiras não cumpram ordens oriundas dos Estados Unidos. Essa posição revelaria uma tentativa de conter possíveis efeitos econômicos das sanções no sistema financeiro nacional.
No dia seguinte, terça-feira (29), Gilmar Mendes manteve novo contato, dessa vez por telefone, com o advogado Fábio Wajngarten, ex-ministro do governo Bolsonaro. A conversa, segundo a CNN, “caminhou melhor, até por uma relação antiga entre Gilmar e o advogado, no sentido de que é preciso encontrar um denominador comum para aplacar a crise”.
Ainda não houve avanços concretos em termos de resolução, mas o canal de diálogo permanece aberto. “Esse primeiro contato ainda não produziu nenhum avanço no caminho de uma pacificação, embora todos tenham concordado que o canal continuará aberto para novas rodadas de diálogo”, relata a colunista.
IMPORTANTE! Gilmar Mendes e aliados de Bolsonaro estabeleceram um canal de diálogo. A jornalista mostra que foi tensa a primeira abordagem, mas a segunda, com Fabio Wajngarten, foi bem melhor. pic.twitter.com/hfinXfr96W
— Vinicius Carrion (@viniciuscfp82) July 31, 2025

