A imposição do visto para turistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, retomada pelo governo Lula em abril, já impacta o turismo internacional no Brasil. Dados da Embratur revelam que, no segundo trimestre de 2025, o fluxo de visitantes desses países estagnou, interrompendo a tendência de crescimento observada no início do ano.
Entre janeiro e março, o número de turistas oriundos dessas nações aumentou 25,3% em relação ao mesmo período de 2024, saltando de 255 mil para 320 mil visitantes. No entanto, entre abril e junho — já com a exigência do visto em vigor — o país registrou uma leve queda: 176.491 entradas, contra 177.526 no ano anterior, uma redução de 0,6%.
A medida foi tomada com base no princípio da reciprocidade diplomática. O decreto, assinado por Lula em maio de 2023, revogou a dispensa de vistos concedida de forma unilateral pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora o Japão tenha optado por também flexibilizar a exigência, os demais países mantiveram a necessidade de autorização prévia.
Os Estados Unidos lideraram o número de visitantes entre os três países no primeiro semestre de 2025, com 410 mil turistas, representando 83% do total vindo dessas regiões e 8% do volume geral de estrangeiros que entraram no Brasil nos primeiros seis meses do ano.
A nova política causou desconforto entre parlamentares, sobretudo no Senado. Um projeto de decreto legislativo que pretende derrubar a exigência de visto já foi aprovado na Casa, sob relatoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que argumenta que a restrição prejudica setores estratégicos do turismo, como hotelaria, alimentação e transporte.
A proposta está parada na Câmara desde março e aguarda análise da Comissão de Relações Exteriores. O relator designado é o deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS). Ainda não há previsão para votação.
Em 2024, o Brasil recebeu 6,7 milhões de visitantes estrangeiros, alta de 14,6% em relação a 2023. No ano anterior, turistas vindos de EUA, Canadá e Austrália somaram 728 mil, um aumento de 8% sobre 2022. Parlamentares favoráveis à suspensão do visto afirmam que a exigência compromete esse avanço. (Foto: EBC; Fonte: G1)
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