O Exército brasileiro decidiu avançar na modernização de sua defesa antiaérea e optou por um sistema italiano de média altura e alcance, dentro de um acordo de cooperação entre Brasil e Itália. A informação é da Folha de SP.
A medida está prevista em portaria assinada em 22 de dezembro pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército, publicada em boletim interno da Força na sexta-feira (9/1).
O documento estabelece diretrizes tanto para a aquisição quanto para a cooperação no desenvolvimento dos equipamentos, mas não define prazos para a assinatura do contrato. Conforme já havia sido noticiado, Jundiaí, no interior de São Paulo, deverá concentrar inicialmente a estrutura da futura defesa antiaérea do Exército no país.
A unidade escolhida é o 12º Grupo de Artilharia Antiaérea (12º GAAAe), que até julho do ano passado era o 12º Grupo de Artilharia de Campanha. A transformação faz parte do projeto Força 40, plano de modernização do Exército que prevê, até 2039, a implantação inédita no Brasil de um sistema de defesa antiaérea de média altura.
O novo sistema permitirá o uso de mísseis capazes de atingir alvos a até 15 quilômetros de altitude, com alcance horizontal entre 40 e 60 quilômetros. Atualmente, o país dispõe apenas de defesa antiaérea terrestre de baixa altura, limitada a cerca de 3 quilômetros de alcance.
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A portaria não menciona valores, mas estimativas de pessoas envolvidas no projeto apontam que o investimento pode se aproximar de R$ 4 bilhões. Procurado para comentar custos e cronograma, o Exército não se manifestou até a publicação da reportagem.
O equipamento selecionado pertence ao grupo multinacional MBDA e integra o sistema Emads (Enhanced Modular Air Defense Solutions). Segundo o documento, ele utiliza mísseis CAMM-ER, de alcance estendido, semelhantes aos que equipam as fragatas da classe Tamandaré, em construção em Itajaí (SC). A portaria também destaca a qualidade dos radares como um dos fatores que pesaram na escolha.
O texto relembra ainda o histórico de cooperação militar entre Brasil e Itália, que inclui desde a compra dos primeiros submarinos da Marinha brasileira, em 1914, até aeronaves da Força Aérea e veículos blindados do Exército.
De acordo com o Exército, um acordo específico no modelo governo a governo pode garantir melhores condições de financiamento, manutenção, reposição de peças e suporte técnico por décadas, além de se apoiar em uma estrutura G2G italiana considerada madura.
O sistema previsto contará com três baterias antiaéreas —uma de comando e duas de mísseis—, além de lançadores com oito células. Cada grupo de baterias deverá receber 60 mísseis, sendo 48 operacionais e 12 destinados a treinamento. Inicialmente, 20 militares brasileiros serão capacitados no exterior, embora o acordo também preveja a realização de treinamentos no Brasil.
Antes da definição pelo modelo italiano, o Exército avaliou outras opções, como o sistema alemão IRIS-T SLM/SLS e o Aster (SAMP/T), de origem francesa. O investimento em defesa antiaérea de média altura vinha sendo discutido desde 2012 e foi classificado como essencial em portaria publicada em julho.
À época, o então comandante da Defesa Antiaérea do Exército, general de Brigada Marcos José Martins Coelho, afirmou que fatores regionais reforçavam a necessidade do projeto. “Estamos na fronteira, eles [Venezuela] são um país fronteiriço. Não é o fundamental, não é por isso que nós estamos fazendo [a compra do armamento]. Mas reforça a ideia de que precisamos do equipamento”, disse.
Segundo o documento, a implantação do sistema busca responder ao cenário internacional e regional, marcado por conflitos de grande escala e pelo uso intensivo de meios aeroespaciais cada vez mais letais, considerados uma ameaça crescente à segurança estratégica do país. E mais: Abono Salarial inicia pagamentos, enquanto governo prepara corte gradual de beneficiários. Clique AQUI para ver. (Foto: divulgação; Fonte: Folha de SP)
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