Os Estados Unidos, principal fonte de investimento estrangeiro no Brasil, devem diminuir o ritmo de novos aportes em razão do agravamento da disputa tarifária entre os dois países.
Atualmente, os norte-americanos destinam ao Brasil quatro vezes mais recursos do que o segundo colocado no ranking do Banco Central. Em 2023, último dado consolidado, foram registrados US$ 272,8 bilhões contra US$ 66,8 bilhões vindos da Espanha. O balanço referente a 2024 será apresentado em 26 de setembro.
De acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o estoque já existente de investimentos norte-americanos deve permanecer estável.
Porém, ele alerta para a redução imediata do fluxo de capital. “A empresa americana situada no Brasil não vai expandir o investimento enquanto houver essa pendência tarifária. Isso vai afetar o investimento futuro”, explicou em entrevista ao Poder360.
Barral destacou ainda que as companhias devem adotar cautela até que ocorram avanços nas negociações. “Provavelmente os Estados Unidos podem perder o título de maior investidor anual, mas vão continuar por muito tempo sendo o maior em estoque de investimentos”, afirmou.
Segundo ele, a manutenção desse volume se deve à presença consolidada de diversas multinacionais norte-americanas que enxergam potencial no mercado consumidor brasileiro.
Segundo levantamento preliminar do Banco Central, os Estados Unidos seguem disparados na liderança entre os países que mais investem no Brasil, com US$ 272,8 bilhões. A Espanha aparece em segundo lugar, com US$ 66,8 bilhões, praticamente empatada com a França, que registrou US$ 66,3 bilhões.
Na sequência estão Uruguai (US$ 58,5 bilhões), China (US$ 53,2 bilhões), Reino Unido (US$ 52,7 bilhões), Alemanha (US$ 44,1 bilhões), Holanda (US$ 39,8 bilhões), Japão (US$ 35,2 bilhões) e Suíça (US$ 29,1 bilhões). O Banco Central divulgará os números definitivos referentes a 2024 em 26 de setembro. (Foto: PixaBay; Fonte: Poder360)
Empresas que mais investem no Brasil
Ranking – Empresa – Setor – Receita líquida (R$ bilhões)
9º – Cargill – agronegócio – 124,1
46º – Mosaic Fertilizantes – química e petroquímica – 28,4
100º – Whirlpool – eletroeletrônica – 11,5
132º – AGCO Brasil – veículos e peças – 9,3
152º – FS Agrisolutions – bioenergia – 8,1
155º – BP Bunge – bioenergia – 7,9
178º – Alcoa – metalurgia e siderurgia – 7,1
215º – Pfizer – farmacêutica e cosméticos – 5,6
239º – FMC – química e petroquímica – 5,1
251º – Sylvamo – papel e celulose – 4,9

