O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) elevou o tom contra o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em uma publicação feita no sábado (20) no X. Ao compartilhar um post crítico ao dirigente, o parlamentar afirmou que “esse é o momento para resgatarmos a direita, não para a enfiarmos nas mãos sujas do aproveitador da ocasião”.
Na mesma mensagem, Eduardo acrescentou: “Não abdiquei de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras. Não lutei contra tiranos insanos para me sujeitar aos esquemas espúrios dos batedores de carteira da ocasião”.
Na sexta-feira (19), Valdemar havia declarado ao jornal que Eduardo “poderia ajudar a matar o próprio pai” caso resistisse à candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Palácio do Planalto em 2026.
O presidente do PL também classificou Jair Bolsonaro como uma “figura imprevisível” e disse que o ex-presidente poderia apoiar outros nomes, como Ratinho Júnior (PSD) ou Michelle Bolsonaro. “Ele tem que obedecer porque os votos que ele tem são por causa do pai, não são por causa dele”, disse Valdemar sobre o deputado.
A fala gerou resposta imediata. Ao jornal O Globo, Eduardo chamou as declarações de “canalhice” e cobrou retratação:
“Dizer que um filho ajudaria a matar o próprio pai, se ele não aceitar as chantagens que até seus aliados mais próximos estão fazendo com ele, é de uma canalhice que não esperava nem mesmo de você, Valdemar. Aguardo suas desculpas públicas e espero que você só tenha se atrapalhado, mais uma vez, com as palavras”.
Valdemar rebateu em nota, afirmando: “Canalhice é xingar o próprio pai e pensar que tem votos. Os votos são do seu pai, não seus. Mas, se o seu pai te escolher, vai ter o apoio do partido. Diferente de você, respeito muito seu pai”.
O embate ocorre em meio à movimentação de aliados de Jair Bolsonaro para a eleição presidencial de 2026. Eduardo já havia criticado governadores que ensaiam pré-candidaturas, chamando-os de “não merecedores de votos bolsonaristas”.
Em agosto, em entrevista ao Metrópoles, disse até cogitar sair do PL caso Tarcísio ingresse no partido: “Se o Tarcísio vier para o PL, o que vai acontecer? Eu não terei espaço. Estou em meu terceiro mandato. Sei como a banda toca. Eu teria que ir para outro partido”.
Mesmo inelegível até 2030, Jair Bolsonaro continua sendo a prioridade da legenda, segundo Valdemar. “Não temos plano B. O nosso plano é Bolsonaro candidato”, declarou em setembro. O presidente do PL também afirmou que Tarcísio “será bem-vindo” na sigla, mas ressaltou que a decisão sobre quem disputará a presidência caberá exclusivamente ao ex-chefe do Executivo.
Não abdiquei de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras. Não lutei contra tiranos insanos para me sujeitar aos esquemas espúrios dos batedores de carteira da ocasião.
Esse é o momento para resgatarmos a direita, não para a enfiarmos nas mãos sujas do aproveitador da… https://t.co/akvbzJlhBv
— Eduardo Bolsonaro?? (@BolsonaroSP) September 20, 2025

