Em mercados altamente competitivos do setor de bens de consumo, disputas entre grandes marcas frequentemente extrapolam a simples concorrência por preços e participação de mercado, envolvendo também estratégias agressivas de posicionamento, inovação e vigilância sobre produtos rivais.
Nesse ambiente, episódios de rivalidade comercial podem ganhar dimensão regulatória quando passam a envolver questionamentos técnicos e sanitários.
A multinacional anglo-holandesa Unilever apresentou duas denúncias contra a brasileira Química Amparo, dona das marcas Ypê e Tixan, por suspeita de contaminação microbiológica em produtos de limpeza. As queixas foram encaminhadas à Senacon e à Anvisa, segundo revelou a Folha de S.Paulo.
A empresa é dona da dona de marcas como Omo, Comfort e Cif.
Os documentos citam a possível presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas e detergentes, o que, segundo a multinacional, indicaria falhas em boas práticas de fabricação e risco potencial à saúde do consumidor.
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), e determinou a suspensão da produção e comercialização de produtos líquidos fabricados no complexo industrial, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
A Unilever afirma que as análises foram feitas como parte de uma prática comum da indústria, que envolve testes técnicos também em produtos concorrentes. Segundo a empresa, as autoridades foram notificadas após a identificação dos resultados.
Em uma das denúncias, a companhia relata ter contratado um laboratório para análise das amostras e identificação da bactéria, além de avaliação dos riscos associados.
A multinacional também sustenta que a própria fabricante brasileira teria iniciado um recolhimento preventivo de produtos no mercado, o que teria motivado a ampliação das análises.
Em nova rodada de testes, realizada em março com apoio do laboratório Eurofins, a Unilever afirma ter identificado ao menos 14 lotes adicionais com contaminação.
Já a Química Amparo (dona da Ypê) contesta as acusações e afirma que os resultados não indicam necessariamente risco ao consumidor. A empresa argumenta que a bactéria citada é comum no ambiente e não implica automaticamente em periculosidade do produto final.
A fabricante também nega ter promovido recall generalizado e afirma que seus próprios testes internos não identificaram contaminação nos lotes analisados no início do ano. Além disso, sugere que as denúncias têm motivação concorrencial, destacando o avanço de sua participação de mercado frente à rival.
Outro ponto levantado pela empresa brasileira questiona a metodologia das análises, alegando inconsistências na origem e no tempo de coleta das amostras utilizadas pela multinacional.
A Unilever, por sua vez, afirma que notificou as autoridades “em respeito ao consumidor” e que cabe aos órgãos reguladores conduzir as investigações e eventuais medidas sanitárias.
A empresa também lembrou um caso semelhante ocorrido no exterior, envolvendo a marca The Laundress, nos Estados Unidos e Canadá, que levou a um recall milionário de produtos após identificação de contaminação bacteriana. E mais: Produtora revela: não teve dinheiro de Vorcaro no filme de Bolsonaro. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Folha de SP)

