Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retomaram as negociações em Brasília em meio à disputa sobre pautas consideradas prioritárias pelo governo. A articulação envolve a votação da proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1 e pode abrir caminho para uma nova aproximação política entre os dois.
Segundo interlocutores, o entendimento discutido entre os grupos próximos aos dois líderes tem uma premissa clara: “A premissa é que Lula fique na Presidência até 2030 e Alcolumbre, no Senado, até 2029”. Veja mais ao fim da reportagem.
A frase resume a possibilidade de uma parceria política que ultrapassaria a atual discussão sobre a jornada de trabalho. O PT poderia apoiar a permanência de Alcolumbre no comando do Senado a partir de 2027, enquanto o presidente da Casa teria interesse em manter uma relação mais próxima com o Palácio do Planalto.
Alcolumbre ainda não declarou publicamente que pretende disputar novamente a presidência do Senado. Ele se reuniu com Lula nesta quarta-feira (12), mas, segundo reportagem da Folha de SP, o assunto não teria sido colocado formalmente na conversa. Uma nova reunião entre os dois, porém, pode ocorrer ainda nesta semana.
O governo vem pressionando para que Alcolumbre coloque em votação a PEC que trata do fim da escala 6×1 antes das eleições. O senador, por outro lado, resiste à ideia e argumenta que não haveria disposição entre os parlamentares para analisar a proposta antes do período eleitoral.
A pauta trabalhista ganhou importância justamente por poder funcionar como ponto de reaproximação entre Lula e Alcolumbre. A relação entre os dois grupos havia se deteriorado em abril, depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre havia defendido a indicação do então senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o tribunal e trabalhou contra o nome escolhido por Lula. A derrota de Messias foi interpretada no Palácio do Planalto como um confronto direto com a autoridade presidencial.
Desde então, aliados dos dois lados passaram a trabalhar para reconstruir o diálogo. Na semana passada, Lula e Alcolumbre chegaram a jantar juntos. O encontro, segundo pessoas próximas às negociações, serviu inicialmente para reduzir as tensões e permitir que os dois voltassem a conversar, sem representar ainda a retomada completa da parceria.
Com a reaproximação, integrantes do governo passaram a avaliar que Alcolumbre teria menos motivos para continuar adiando a análise das propostas defendidas pelo Planalto.
Além do fim da escala 6×1, Lula quer acelerar outras duas medidas no Senado: a PEC da Segurança, que amplia instrumentos de atuação do governo no combate à criminalidade, e o projeto que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. As três propostas já passaram pela Câmara dos Deputados.
O senador avaliou que a paralisação dessas propostas prejudica tanto o país quanto o próprio presidente do Senado, que pode enfrentar desgaste político caso temas considerados populares permaneçam sem votação.
A articulação também ocorre diante do movimento da oposição. A direita liderada pelo PL trabalha para tentar eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado em 2027, o que aumenta o interesse do governo em garantir a permanência de Alcolumbre no comando da Casa.
Nesse cenário, a votação do fim da escala 6×1 pode se transformar em uma das principais moedas políticas para reconstruir a aliança entre Lula e Alcolumbre. A expectativa de aliados do presidente é que a retomada das negociações abra uma janela para a aprovação das prioridades do governo ainda antes das eleições.
🚨URGENTE – Lula e Alcolumbre fecham acordo em Brasília
“A premissa é que Lula fique na Presidência até 2030 e Alcolumbre, no Senado, até 2029” pic.twitter.com/kRhZ0PCKKG
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) August 13, 2026

