A avaliação negativa do Supremo Tribunal Federal segue em um dos piores níveis da série histórica iniciada pelo Datafolha em 2019. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto, 40% dos entrevistados classificam o trabalho da Corte como ruim ou péssimo.
O índice repete o patamar registrado em março deste ano e se iguala aos números observados em dezembro de 2019 e dezembro de 2023, até então os momentos de maior rejeição ao tribunal.
De acordo com o levantamento, outros 34% consideram a atuação dos ministros regular, enquanto 22% avaliam o desempenho do STF como ótimo ou bom. Os números ficaram estáveis dentro da margem de erro de dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais nos dias 12 e 13 de maio, por meio de entrevistas presenciais em pontos de fluxo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A queda na imagem do Supremo ocorre em meio a disputas internas na Corte, críticas envolvendo benefícios salariais do Judiciário e à repercussão do chamado “caso Master”, investigação que atingiu ministros do tribunal.
O escândalo envolvendo o Banco Master afetou diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Toffoli deixou a relatoria do inquérito após a Polícia Federal identificar que fundos ligados ao banco adquiriram participação em uma empresa da família do ministro relacionada a um resort de luxo.
Já Moraes passou a enfrentar desgaste após a divulgação de mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro antes da prisão do ex-banqueiro, além da repercussão de um contrato milionário firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa.
A pesquisa também mostra forte divisão política na percepção sobre o STF. Entre entrevistados que aprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 50% avaliam positivamente o trabalho da Corte, enquanto apenas 12% fazem avaliação negativa.
Já entre aqueles que classificam a gestão Lula como ruim ou péssima, somente 5% aprovam o desempenho do Supremo, enquanto 71% dizem ter visão negativa sobre os ministros.
No recorte eleitoral, o tribunal apresenta melhor desempenho entre eleitores alinhados ao presidente. Entre os que afirmam votar em Lula, 40% avaliam positivamente o STF e 16% negativamente.
Entre apoiadores do senador Flávio Bolsonaro, os números se invertem: apenas 8% consideram a atuação do Supremo positiva, enquanto 64% classificam o desempenho como ruim ou péssimo.
Os dados também revelam diferenças relevantes entre grupos sociais. A reprovação ao STF é maior entre homens, pessoas com maior escolaridade e faixas de renda mais elevadas.
Entre homens, 45% avaliam negativamente a Corte, contra 36% entre as mulheres. Em relação à escolaridade, a rejeição sobe conforme aumenta o nível de instrução: 34% entre quem possui ensino fundamental, 40% entre aqueles com ensino médio e 48% entre entrevistados com diploma universitário.
Na divisão por renda, a desaprovação ao Supremo chega a 63% entre pessoas com renda familiar acima de dez salários mínimos, enquanto fica em 33% entre aqueles que recebem até dois salários mínimos. E mais: Ministério Público pede condenação da Marinha por caso na ‘Revolta da Chibata’. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: Folha de SP)

