A Câmara Municipal do Recife deve dar início, no próximo dia 3 de fevereiro, à análise de um pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). O presidente do Legislativo recifense, Romerinho Jatobá (PSB), informou que a denúncia será lida logo na primeira sessão do ano, marcando a abertura dos trabalhos parlamentares.
Após a leitura em plenário, caberá aos vereadores decidir, por meio de votação nominal, se autorizam ou não a abertura do processo de investigação. Para que o pedido avance e passe a tramitar formalmente na Casa de José Mariano, será necessário o apoio da maioria simples dos 37 parlamentares.
A representação foi apresentada pelo vereador Eduardo Moura (Novo) e tem como base uma acusação de irregularidade em concurso público para o cargo de procurador do município.
Segundo a denúncia, a gestão municipal teria nomeado um candidato para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD) mesmo após a apresentação do laudo comprobatório ocorrer apenas três anos depois da realização da prova.
Romerinho Jatobá minimizou o pedido e afirmou que se trata de uma iniciativa com viés político. Para ele, não há fundamentos para a abertura do processo.
“A bancada do governo está muito segura que esse pedido não tem nenhum cabimento. É feita uma articulação natural dentro da nossa bancada (pela rejeição do pedido)”, declarou. A assessoria do prefeito João Campos foi procurada, e o espaço segue aberto para manifestações.
O caso envolve o candidato Lucas Vieira Silva, que disputou inicialmente o concurso na ampla concorrência, realizado em dezembro de 2022, e ficou na 63ª colocação. Posteriormente, em maio de 2025, ele solicitou a mudança para a lista de PCD, apresentando um laudo médico que atestaria Transtorno do Espectro Autista (TEA). A condição teria sido confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho.
Lucas Vieira Silva é filho do juiz Rildo Vieira da Silva e de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco.
De acordo com informações divulgadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, o laudo foi aceito pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes. A homologação do concurso foi publicada em 19 de dezembro, colocando o candidato em primeiro lugar entre os inscritos na modalidade PCD.
Com a repercussão do episódio, vereadores levaram o caso ao Ministério Público de Pernambuco. Diante da pressão, o prefeito João Campos decidiu anular a nomeação. Com isso, a vaga de procurador municipal passou a ser ocupada por Marko Venicio dos Santos, único candidato com deficiência aprovado na primeira homologação do certame. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)

