O Brasil alcançou em junho um novo recorde no número de empresas com dívidas em atraso. Segundo levantamento mais recente da Serasa Experian, 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes no mês, o maior número já registrado desde o início da série histórica, em 2016.
O volume total das dívidas também atingiu um patamar inédito: R$ 232,9 bilhões. Em maio, eram 9 milhões de empresas negativadas, com R$ 229,9 bilhões em débitos vencidos. Em apenas um mês, aproximadamente 100 mil empresas passaram a integrar a lista de inadimplentes, enquanto o estoque de dívidas aumentou em R$ 3 bilhões.
Em média, cada empresa negativada acumulava 7,3 contas em atraso. As pendências podem estar relacionadas a instituições financeiras, fornecedores ou serviços essenciais, como energia elétrica e telecomunicações. O débito médio por CNPJ chegava a R$ 25.508,96.
As micro e pequenas empresas são as principais afetadas pelo avanço das dívidas. Dos 9,1 milhões de negócios negativados em junho, aproximadamente 8,7 milhões pertenciam a essas categorias.
Isso significa que cerca de 95% das empresas inadimplentes no país são micro ou pequenas empresas, segmento geralmente mais vulnerável à redução das vendas, ao aumento dos custos e às dificuldades de acesso a crédito.
Por setor, os serviços concentravam a maior parcela das empresas negativadas, representando 55,7% do total. O comércio aparecia na segunda posição, com 32,2%.
O aumento da inadimplência ocorre em um cenário de crédito ainda caro e consumo enfraquecido. Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic permanece em 14% ao ano.
Gastos públicos elevados do governo pressionam a inflação, levando o Banco Central a elevar a taxa de juros para conter a alta de preços e reduzindo a demanda na economia.
E o patamar elevado encarece operações importantes para as empresas, como empréstimos, financiamento de capital de giro e renegociação de dívidas. Para os pequenos negócios, o custo do crédito pode ter impacto ainda maior sobre o fluxo de caixa.
A situação também é agravada pela inadimplência dos consumidores. De acordo com a Serasa Experian, 83,9 milhões de pessoas estavam negativadas em julho. Com uma parcela maior da renda comprometida com dívidas e despesas básicas, o consumo de produtos e serviços tende a ser afetado, reduzindo o faturamento das empresas.
A dificuldade crescente para honrar compromissos financeiros também aparece no aumento dos pedidos de recuperação judicial.
O mecanismo permite que empresas em situação de crise busquem proteção da Justiça para renegociar suas dívidas com credores e reorganizar as finanças, mantendo as atividades durante o processo.
O recorde de empresas inadimplentes e o aumento do volume de débitos mostram a pressão enfrentada pelo setor produtivo, especialmente pelos pequenos negócios, em um ambiente marcado por juros elevados, crédito restrito e menor capacidade de consumo das famílias. E mais: Marçal fala sobre sua relação com Flávio e revela o que disse ao candidato. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Veja)

