O governo petista pretende realizar emissões anuais de títulos públicos denominados em yuan, a moeda chinesa, com o objetivo de consolidar uma referência no mercado financeiro da China e facilitar a captação de recursos por empresas brasileiras junto a investidores locais.
A informação foi apresentada pelo vice-secretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, durante um seminário promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China. Segundo ele, a primeira emissão deve ocorrer antes do fim deste ano e terá um caráter mais estratégico do que voltado à obtenção de recursos.
“Tendo em conta a dimensão da nossa economia, trata-se muito mais de uma operação qualitativa do que quantitativa”, afirmou. “É obviamente um recurso bem-vindo e tende a ser barato, mas o mais importante é abrir portas a novos investidores”, acrescentou.
A proposta do Tesouro é estabelecer uma curva de rendimentos da dívida soberana brasileira em yuan, algo que ainda não existe. Essa referência poderá servir de parâmetro para companhias brasileiras interessadas em captar financiamento diretamente no mercado chinês.
Francisco Segundo ressaltou que a presença contínua nesse mercado será essencial para consolidar a estratégia.
“Em todos os mercados onde concluímos que há sucesso e potencial, temos de estar presentes. Temos de ir uma vez, duas, três vezes. Temos de estar lá todos os anos”, declarou.
Os chamados “títulos panda” são papéis de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado chinês, denominados em yuan e direcionados a investidores locais. Desde o fim de 2022, quando a China flexibilizou as regras que obrigavam os emissores a manter os recursos obtidos no país, esse instrumento passou a despertar maior interesse internacional.
Dados da Bloomberg mostram que, neste ano, essas emissões tiveram taxa média de cupom de 1,97%, percentual significativamente inferior ao custo médio de financiamentos em dólar, atualmente entre 4,5% e 5,5%.
O pedido oficial do Brasil para ingressar nesse mercado foi apresentado em junho, quando o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou uma carta de intenções ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng. Na ocasião, a autoridade chinesa sinalizou apoio à operação.
Caso a emissão seja concluída, o Brasil se tornará o primeiro país soberano da América Latina a lançar títulos panda, seguindo uma tendência já adotada por nações como Cazaquistão, Paquistão, Eslovênia e Indonésia.
O volume da operação ainda não foi definido. Enquanto Durigan mencionou, em junho, uma emissão de até 5 bilhões de yuan, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou em julho que o objetivo pode chegar a aproximadamente 10 bilhões de yuan. Se esse valor for confirmado, o Brasil superará a maior emissão desse tipo já realizada, registrada pela Indonésia, que captou 7 bilhões de yuan.
Segundo Francisco Segundo, o processo já recebeu aprovação das autoridades chinesas e resta apenas a conclusão de etapas técnicas, entre elas a contratação de uma agência chinesa de classificação de risco para avaliar a dívida pública brasileira.
Embora o governo mantenha a expectativa de concluir a emissão ainda neste ano, o representante do Tesouro reconheceu que não há garantia de que a operação seja efetivada antes do encerramento de 2026.
A decisão de manter emissões frequentes na China também leva em consideração experiências anteriores do Brasil em outros mercados. Após emitir títulos em euros em 2014, o país permaneceu mais de dez anos sem acessar esse mercado e só voltou em abril deste ano, quando realizou uma captação de 5 bilhões de euros, a maior emissão brasileira já feita na moeda europeia.
De acordo com Francisco Segundo, esse longo intervalo comprometeu a curva de rendimentos da dívida brasileira em euros, reduzindo sua utilidade como referência para empresas privadas que buscam financiamento internacional. E mais: A proposta de Nikolas para Romeu Zema (Novo). Clique AQUI para ver. (Foto: EBC; Fonte: RTP)

