O avanço do capital chinês sobre setores estratégicos da economia brasileira ganhou ainda mais força em 2025. Dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostram que o Brasil se tornou o principal destino mundial dos investimentos chineses neste ano, recebendo US$ 6,1 bilhões — cerca de R$ 30 bilhões — em aportes distribuídos em 52 projetos.
O movimento inclui desde a instalação de fábricas automobilísticas até aquisições bilionárias no setor de mineração, além da expansão de empresas ligadas à tecnologia, logística e economia digital. O crescimento de 45% em relação ao ano anterior reforça uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: a ampliação da influência econômica chinesa em áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento do país.
Segundo o levantamento, o Brasil concentrou 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no mundo em 2025, superando economias como Estados Unidos e Guiana. O estudo leva em conta projetos iniciados do zero, expansões empresariais, joint ventures, fusões e aquisições.
Energia e mineração
O setor elétrico permaneceu como principal foco dos investimentos chineses, respondendo por quase 30% do total aplicado no Brasil. Os aportes se concentraram principalmente em projetos de energia limpa, como usinas solares, parques eólicos, hidrelétricas e expansão das linhas de transmissão.
Especialistas apontam que a busca chinesa por presença no setor energético brasileiro ocorre em meio ao cenário global de transição energética e crescente demanda por fontes renováveis.
A mineração também registrou forte avanço. O segmento recebeu US$ 1,76 bilhão em investimentos, valor mais de três vezes superior ao do ano anterior. O principal impulso veio da compra da mineradora Equinox pela chinesa CMOC em uma operação de US$ 1 bilhão.
O crescimento acelerado da presença chinesa em mineração desperta atenção por envolver recursos naturais estratégicos e minerais considerados essenciais para a indústria global e para tecnologias ligadas à transição energética.
Montadoras chinesas
A indústria automobilística apareceu entre os setores que mais receberam capital chinês em 2025, concentrando 15,8% dos investimentos totais.
Nos últimos anos, montadoras chinesas passaram a assumir antigas estruturas industriais de fabricantes ocidentais no Brasil, transformando essas unidades em centros de produção de veículos híbridos e elétricos. Empresas como BYD e GWM ampliaram rapidamente suas operações no país e vêm conquistando espaço crescente no mercado nacional.
Além disso, os investimentos chineses avançaram sobre áreas como tecnologia da informação, fabricação de eletrônicos, logística, delivery e serviços digitais. O lançamento da marca de smartphones Jovi no Brasil é apontado como um exemplo da estratégia chinesa de ampliar presença também no setor de consumo e tecnologia.
Representantes do CEBC afirmam que o Brasil reúne características consideradas altamente atrativas para investidores chineses, como mercado consumidor amplo, abundância de recursos naturais e forte potencial em energia limpa.
A avaliação de especialistas ligados ao conselho é que a tendência deve continuar nos próximos anos, especialmente em mineração, indústria e projetos voltados à descarbonização da economia. O cenário, porém, também alimenta debates sobre o aumento da dependência brasileira em relação ao capital chinês e sobre o grau de influência estrangeira em setores estratégicos do país. (Foto: EBC; Fontes: Folha de SP; InfoMoney)


