Um novo levantamento internacional sobre investimentos militares revela um cenário de forte expansão nos gastos com defesa em várias regiões do planeta — e evidencia a perda de espaço do Brasil nesse contexto. A reportagem é da revista Sociedade Militar.
O estudo faz parte do relatório Military Balance 2025, divulgado pelo International Institute for Strategic Studies (IISS), uma das análises mais respeitadas do setor.
De acordo com o documento, publicado em fevereiro, o aumento global nos orçamentos militares tem sido impulsionado por conflitos armados, tensões geopolíticas e pela intensificação da corrida armamentista internacional. Entre os fatores que mais pressionaram os gastos está a Guerra Russo-Ucraniana, além de disputas estratégicas em diversas regiões.
Na América Latina, os investimentos militares cresceram 5,4% em 2025 na comparação com o ano anterior. Ainda assim, o aumento não foi suficiente para fortalecer de forma significativa as maiores forças armadas do continente.
Segundo o relatório, países como Brasil e Colômbia registraram elevações modestas no orçamento militar, o que acabou resultando em restrições operacionais em algumas áreas das Forças Armadas.
Enquanto isso, outras regiões registraram avanços bem mais expressivos. Na Europa, por exemplo, os gastos cresceram 12,6%, impulsionados principalmente pelo conflito envolvendo Rússia e Ucrânia, além do reforço das capacidades militares de países integrantes da OTAN. Já na Ásia, o crescimento foi de 5,7%, refletindo o aumento das disputas estratégicas na região do Indo-Pacífico.
O ranking dos países que mais investem em defesa continua liderado pelas principais potências militares globais. Na lista aparecem Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Reino Unido, além de outras nações com participação direta em disputas estratégicas, como Índia, Arábia Saudita, França, Japão e Ucrânia.
Nesse cenário de aumento global dos orçamentos militares, o Brasil não aparece entre os 15 países que mais investem em defesa no mundo. O ranking não cita especificamente a posição do Brasil, focando apenas nos principais países nesse questio.
A situação contrasta com anos anteriores. Em 2018, por exemplo, o país figurava entre os principais investidores globais. Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) indicam que naquele ano o Brasil aplicou cerca de US$ 27,8 bilhões na área militar, ocupando a 12ª posição no ranking internacional.
Em 2019, com US$ 26,9 bilhões em investimentos, o país chegou à 11ª colocação.
Com o avanço da corrida armamentista e o aumento acelerado dos gastos militares em outras nações, o orçamento brasileiro acabou perdendo relevância relativa no cenário global.
Em 2024, por exemplo, o país apareceu apenas na 21ª posição no ranking internacional, com investimentos estimados em cerca de US$ 20,9 bilhões, sendo ultrapassado por países que ampliaram rapidamente seus orçamentos, como Argélia, Países Baixos, Espanha, Turquia e Canadá.


