Barroso é questionado sobre perda de visto americano

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Durante evento realizado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), em Fortaleza, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, rechaçou a ideia de que a Justiça brasileira esteja perseguindo figuras políticas.

A declaração ocorre após os Estados Unidos decidirem revogar os vistos de entrada dele, de Alexandre de Moraes e de outros sete ministros da Corte, sob a alegação de que o Judiciário estaria promovendo uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sem entrar em polêmicas, Barroso limitou-se a dizer: “Nós não estamos comentando esse assunto. Nós estamos apenas cumprindo o nosso papel como a Constituição e a legislação brasileira determinam.”

O ministro não respondeu diretamente sobre a revogação dos vistos nem sobre uma eventual interferência norte-americana nas instituições brasileiras, mas afirmou que “as questões se resolvem institucionalmente com o diálogo.”

A visita de Barroso à capital cearense teve caráter institucional e incluiu uma palestra sobre “Plataformas Digitais, Inteligência Artificial e os Desafios do Mundo Contemporâneo”. Foi a primeira vez que um presidente do STF esteve na seccional cearense da OAB.

Em conversa com a imprensa, ele negou qualquer crise entre os Três Poderes e reforçou a importância do equilíbrio entre as instituições.

“Eu tenho ótimas relações com o presidente Lula — institucionais, mas muito cordiais. Tenho ótimas relações com o presidente da Câmara — institucionais, mas cordiais — e com o presidente do Senado. Pontualmente podem acontecer visões diferentes, porque os poderes desempenham papéis diferentes. A democracia é o regime em que as eventuais divergências são absorvidas de maneira institucional”, afirmou.

A decisão de suspender os vistos partiu do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que anunciou a medida na última sexta-feira (18), alegando abusos do Judiciário brasileiro. Além de Barroso e Moraes, também foram atingidos Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ficaram fora da lista os ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux.

 

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