O mercado de suplementos alimentares no Brasil tem se transformado em um gigante, impulsionado por promessas de mais energia, saúde imediata e resultados rápidos na academia.
No entanto, um levantamento da Anvisa revela um panorama preocupante: dois terços dos produtos avaliados até julho de 2025 apresentavam algum tipo de irregularidade.
De acordo com os dados compilados pelo G1, os problemas não são casos isolados. A agência identificou falta de testes de pureza, ausência de estudos que garantam estabilidade e, em alguns casos, a presença de ingredientes que não poderiam estar ali.
O crescimento do setor é acelerado. Um estudo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) apontou que, de março de 2024 a fevereiro de 2025, as vendas de vitaminas e suplementos saltaram 37% em volume e 29% em faturamento.
Entre os produtos avaliados estão vitaminas, proteínas, compostos para emagrecer, pílulas de “energia” e cápsulas antiestresse, voltados a um público cada vez mais preocupado com bem-estar. Mas, junto da popularização, veio também uma avalanche de produtos que não cumprem requisitos mínimos de segurança. Entre 2020 e 2025, 63% das investigações da Anvisa em alimentos envolveram suplementos.
Segundo especialistas, o consumo inadequado pode trazer riscos: “O excesso de vitaminas lipossolúveis pode sobrecarregar o fígado.
Estimulantes escondidos na composição aumentam pressão arterial e causam arritmias. Produtos vendidos como ‘naturais’ podem carregar substâncias farmacológicas não declaradas”, alerta a agência. Recentemente, marcas como Insuzin e Prostnar foram retiradas do mercado por fraudes desse tipo. (continua)
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Apesar do cenário, a Anvisa estendeu até setembro de 2026 o prazo para que empresas se adequem a todas as exigências técnicas, justificando que há poucos laboratórios no país capazes de realizar todos os testes necessários. O órgão reforça, porém, que a fiscalização não foi suspensa e que suplementos lançados desde 2024 devem seguir regras mais rígidas.
Para consumidores, a recomendação é clara: verificar o número de notificação no rótulo, desconfiar de promessas fáceis, checar a empresa fabricante e confirmar registro no site oficial da Anvisa. Comprar em lojas confiáveis, e não em redes sociais, é essencial para evitar riscos à saúde. (Foto: PixaBay; Fonte: InfoMoney; G1)

