Mesmo depois de entrarem no radar da Polícia Federal na investigação sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), empresários apontados como integrantes do grupo conhecido como “Golden Boys” continuaram discutindo maneiras de proteger patrimônio e preservar seus negócios.
Imagens obtidas por câmeras de segurança mostram integrantes do grupo reunidos em uma mansão de luxo em Alphaville, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A gravação ocorreu exatamente 30 dias depois de eles terem sido alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF para investigar fraudes contra aposentados e pensionistas.
O material, divulgado nesta segunda-feira (21/9) pelo Estadão, reúne aproximadamente 30 minutos de gravações contínuas feitas em 22 de maio de 2025. Os equipamentos registraram não apenas as imagens, mas também o áudio das conversas mantidas pelos empresários em diferentes ambientes da residência.
Durante o encontro, os envolvidos mencionam nominalmente entidades que estavam sob seu controle e discutem detalhes relacionados às atividades que passaram a ser investigadas pelas autoridades. As conversas indicam que, mesmo após a operação policial, havia preocupação com a continuidade das atividades e com a movimentação dos recursos.
O imóvel onde ocorreu a reunião pertence a Anderson Cordeiro Vasconcelos, de 38 anos. Ele é apontado pelos investigadores como um dos operadores do esquema e integra o grupo apelidado de “Golden Boys”.
A denominação foi utilizada pela investigação para identificar empresários relativamente jovens, com idades entre 30 e 40 anos, que teriam assumido o comando de quatro entidades de grande porte envolvidas no sistema de descontos associados ao INSS.
Segundo as investigações, essas associações teriam movimentado mais de R$ 700 milhões por meio de mensalidades e cobranças consideradas indevidas sobre benefícios previdenciários. O caso ganhou proporções ainda maiores diante da estimativa de que o esquema investigado tenha provocado prejuízos de aproximadamente R$ 6,2 bilhões.
A ostentação dos empresários também chamou a atenção dos investigadores. Durante as ações da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal apreendeu 29 veículos de luxo ligados aos quatro principais integrantes do grupo. Somados, os automóveis foram avaliados em cerca de R$ 28 milhões.
As imagens gravadas em Alphaville agora integram o conjunto de elementos usados para esclarecer como os empresários atuavam e quais estratégias discutiam depois de terem sido formalmente colocados sob investigação. (Foto: EBC; Fonte: Estadão)
As gravações são de 22 de maio de 2025, apenas 30 dias após a Operação Sem Desconto. Dentro de uma casa em Alphaville, empresários investigados falavam em colocar dinheiro em “dólar digital”, salvar imóveis e esperar a volta do “negócio”.
Segundo dados da CGU, 98% dos… pic.twitter.com/anluN43r7s
— Dra Raissa Soares (@draraissasoares) September 21, 2026

