Documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master mostram que pagamentos milionários à advogada Dalide Corrêa recebiam atenção especial dentro da instituição comandada por Daniel Vorcaro.
Ao longo de 2024, o escritório da advogada recebeu R$ 33 milhões do banco, segundo documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) analisados pela PF.
A proximidade de Dalide com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece nas conversas entre integrantes da cúpula do Master. Em uma das mensagens, o então diretor jurídico Luiz Rennó pediu autorização a Vorcaro para liberar um pagamento e fez uma referência direta ao magistrado.
“Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios ! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse.”
O conteúdo foi localizado no celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. As mensagens indicam que os pagamentos à advogada eram tratados como prioritários por integrantes da instituição. Em outro diálogo, Rennó voltou a pressionar pela liberação de uma fatura de R$ 15 milhões destinada ao escritório.
A conversa ocorreu em 27 de agosto de 2024. O diretor jurídico escreveu a Vorcaro: “Amigo, tudo bem? Quando possível dê ok com certa urgência ao Félix! Turma na outra ponta cobrando forte”. O executivo citado era Alberto Félix, então superintendente-executivo de tesouraria do Master.
Vorcaro perguntou: “Sobre o que”.
Rennó respondeu: “Aquela fatura de 15m para a Dra Dalide ! André te mandou a explicação ontem! Obtivemos vitória importante no caso da Catende!”
Segundo as informações reunidas na investigação, a atuação da advogada estava relacionada a disputas envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. O material também registra uma conversa na qual um executivo do banco se refere ao escritório como “canal direto com o STF”.
Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negam que tenham mantido qualquer sociedade. A advogada já exerceu cargo de direção no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro e atualmente administrada por um dos filhos dele. Ela deixou o IDP em 2016.
O ministro classificou como “falsa” a associação feita pelos executivos do Banco Master. Gilmar também declarou que “não tem conhecimento de atuação” de Dalide “em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro”. A advogada, por sua vez, afirmou que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.
Segundo a defesa da advogada, os trabalhos realizados por seu escritório estavam relacionados a processos originalmente movidos por empresas que posteriormente venderam créditos ao Banco Master. A representação, conforme a versão apresentada, ocorreu em instâncias inferiores, e não perante o STF. Dalide também negou manter relação com o BTG Pactual.
A identificação dos pagamentos de R$ 33 milhões ocorreu durante uma auditoria interna do BRB sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição financeira de Brasília. Os documentos posteriormente foram encontrados e analisados pela Polícia Federal no curso das investigações.
O valor destinado ao escritório de Dalide faz parte de um conjunto de pagamentos milionários realizados pelo Master a escritórios de advocacia durante 2024. E mais: Em entrevista, defesa de Vorcaro deixa alerta a Moraes. Clique AQUI para ver. (Foto: STF; Fonte: Malu Gaspar)

