O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), fez um alerta sobre a situação econômica brasileira e afirmou que o país precisa adotar mudanças profundas para recuperar a estabilidade fiscal e criar condições para um crescimento sustentável.
Em entrevista à BandNews TV, Fraga elogiou a estrutura técnica e a autonomia do Banco Central, mas avaliou que o Brasil enfrenta desafios que exigem alterações importantes na condução da política econômica.
“Para botar esse país nos trilhos, com juros mais normais, com crescimento sustentado, vai ser preciso mudanças importantes nos rumos da política econômica, diria até de natureza estrutural, como Previdência, reforma do Estado e questões ligadas ao regime de imposto de renda. Tem vários espaços para se trabalhar”, afirmou.
O economista também criticou o atual modelo fiscal brasileiro. Segundo ele, o arcabouço fiscal aprovado pelo governo é “modesto” e “insuficiente” para criar um ambiente de redução consistente dos juros.
Fraga afirmou que a meta estabelecida inicialmente para as contas públicas não será alcançada e questionou o uso de ajustes contábeis para apresentar um resultado mais favorável. Na avaliação dele, o resultado real estaria cerca de dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do compromisso anunciado.
Ao comentar a trajetória da dívida pública, que já supera 80% do PIB, o ex-presidente do BC utilizou uma comparação médica para demonstrar sua preocupação com o cenário. “Se eu fosse um médico, diria: ‘Olha, esse paciente aí não está bem'”, declarou.
Segundo Fraga, o governo se tornou o principal tomador de recursos da economia, disputando espaço com famílias e empresas em um ambiente de juros elevados. Ele afirmou que o comércio varejista foi fortemente prejudicado pelo custo do crédito nos últimos anos.
Na avaliação do economista, o Brasil precisa avançar em reformas estruturais para reorganizar as contas públicas. Entre as medidas citadas estão mudanças na Previdência, uma reforma administrativa e alterações no sistema de Imposto de Renda.
Fraga também rejeitou a ideia de que ajustes fiscais necessariamente provocam recessão. Como exemplo, citou o ajuste realizado em 1999, quando medidas de contenção equivalentes a quatro pontos do PIB foram seguidas por uma retomada do crescimento econômico.
Por outro lado, lembrou que a expansão dos gastos públicos durante parte do governo Dilma Rousseff (2011-2016) contribuiu para uma das maiores recessões da história recente do país.
Durante a entrevista, um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando o economista foi questionado sobre sua decisão de declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022.
Fraga explicou que sua escolha não teve como base uma avaliação econômica, mas sim preocupações relacionadas ao cenário institucional brasileiro. “Meu voto não foi um voto econômico. Naquele momento eu tinha sérias preocupações com o futuro da nossa democracia”, afirmou.
Sobre o futuro político, o ex-presidente do Banco Central disse que ainda acompanha o desenvolvimento do debate eleitoral antes de definir novos posicionamentos. Ele comparou o momento atual da política brasileira a uma “semifinal de uma Copa do Mundo”, indicando que as decisões dependerão do avanço do cenário nos próximos meses. (Foto: reprodução; Fonte: Band News)
Vitor Brown questiona Armínio Fraga se ele se arrependeu de ter votado em Lula e se repetiria o voto. Para bom entendedor, meia palavra basta. pic.twitter.com/kPHMujARDO
— Vinicius Carrion (@viniciuscfp82) July 28, 2026

