A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por considerar insuficientes as informações fornecidas pelo ex-banqueiro. Apesar disso, a PGR (Procuradoria-Geral da República) decidiu manter as negociações abertas e aguardar novos elementos antes de definir se levará adiante um eventual acordo de colaboração premiada.
A avaliação dentro da PF é de que os relatos apresentados por Vorcaro não trouxeram fatos relevantes capazes de justificar a concessão de benefícios em troca da colaboração. Investigadores entendem que as informações entregues pela defesa não avançaram além do que já havia sido descoberto durante as apurações da Operação Compliance Zero.
Acontece que, mesmo com a negativa da corporação, integrantes da PGR consideram que tratativas envolvendo acordos desse porte costumam ser demoradas e raramente são concluídas logo nas primeiras conversas. O entendimento é de que o processo exige tempo para que o colaborador detalhe episódios investigados e apresente documentos e provas que sustentem os relatos feitos às autoridades.
As primeiras versões dos anexos da delação foram entregues pela defesa de Vorcaro no último dia 6. Desde então, investigadores da PF e integrantes da Procuradoria avaliaram o conteúdo como fraco e insuficiente para justificar um acordo imediato.
Reservadamente, uma fonte ligada às investigações afirma que o ex-banqueiro não admitiu, nos documentos entregues, situações que apareceriam em materiais extraídos de celulares apreendidos durante as fases da operação.
Outro ponto que provocou resistência entre investigadores e procuradores foi a proposta apresentada pela defesa para devolução de aproximadamente R$ 40 bilhões em um prazo de dez anos. Autoridades avaliam que, diante da dimensão do caso, as condições sugeridas estão longe do esperado para um possível acordo.
Vorcaro é apontado como líder do esquema investigado pela Operação Compliance Zero. Por isso, integrantes das investigações defendem que eventuais benefícios concedidos ao empresário sejam acompanhados de exigências rigorosas.
Segundo dados já divulgados, os prejuízos relacionados à quebra do Banco Master superam R$ 57 bilhões. Para avançar em qualquer negociação, as autoridades esperam que Vorcaro detalhe onde estão os recursos e apresente formas concretas de ressarcimento, incluindo a indicação de contas bancárias, imóveis, aeronaves e outros bens que possam ser usados para quitar parte dos valores.
Embora a Polícia Federal tenha rejeitado a proposta inicial, Vorcaro ainda poderá apresentar novas informações na tentativa de convencer os investigadores a reconsiderarem a colaboração. Pessoas próximas ao caso, porém, avaliam que as chances de mudança de posição dentro da corporação são pequenas.
Caso um eventual acordo avance, a delação ainda precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator das investigações da Operação Compliance Zero no STF (Supremo Tribunal Federal). E mais: Urgente: Deolane Bezerra é presa novamente. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

