O PSDB passou a discutir nos bastidores a possibilidade de lançar o deputado federal Aécio Neves como candidato à Presidência da República diante do recente áudio do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A reportagem é da Folha de SP.
A possível candidatura do tucano foi debatida nessa terça-feira (19) durante uma reunião que reuniu lideranças do PSDB, além dos presidentes do Solidariedade, Paulinho da Força, e do Cidadania, Alex Manente. Segundo reportagem do jornal paulista, a estratégia seria colocar o nome de Aécio em circulação para ‘testar sua capacidade de crescer’ nas pesquisas até o período das convenções partidárias, previsto para julho.
O ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire, afirmou que pretende solicitar na próxima semana uma reunião da federação PSDB-Cidadania para defender oficialmente o lançamento da pré-candidatura do mineiro.
“Não podemos nos omitir neste quadro que está aqui”, afirmou Freire. “Há tempos venho conversando isso. Não podemos deixar o lulopetismo continuar governando o nosso país, e nem voltar à mediocridade plena que é o bolsonarismo.”
Após a repercussão da notícia, Freire voltou a se manifestar nas redes sociais em defesa do projeto tucano. “Não aceitaremos que o futuro seja definitivamente sequestrado pelo medo, pelo ódio ou pelo atraso. É tempo de superar divisões estéreis, reconstruir pontes entre os brasileiros e devolver ao País um horizonte contemporâneo, humano e democrático”, escreveu.
Antes de discutir o próprio nome, Aécio tentou construir uma alternativa dentro do partido ao sugerir a candidatura de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. O ex-ministro, entretanto, preferiu manter os planos de disputar o Governo do Ceará, estado em que aparece bem posicionado nas pesquisas.
Outra possibilidade considerada por tucanos era o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que deixou o PSDB no ano passado para ingressar no PSD e acabou permanecendo no comando do governo gaúcho.
Paulinho da Força confirmou que o nome de Aécio ganhou força durante a reunião e declarou apoio à ideia. Segundo aliados, o dirigente sindical poderia até integrar a chapa como candidato a vice-presidente.
“Conversamos um pouco sobre isso, ele [Aécio] está a fim. Tem um movimento muito grande no partido dele. Eu fiz um apelo para ele lançar a candidatura. Acho que, com esse derretimento do Flávio, vai sobrar um povo que não quer votar no PT e que não tem alternativa”, declarou.
Nos bastidores, a avaliação é de que Aécio tentaria ocupar um espaço de uma suposta ‘centro-direita’, buscando se diferenciar tanto de Luiz Inácio Lula da Silva quanto de Flávio Bolsonaro. A estratégia seria atrair eleitores insatisfeitos com os dois polos políticos.
O PSDB é um acrônimo partidário que significa Partido da Social Democracia Brasileira, o que indica que não tem nada de ‘direita’.
Até recentemente, o PSDB trabalhava com a hipótese de Aécio disputar uma vaga ao Senado por Minas Gerais ou tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Agora, aliados acreditam que a projeção nacional do tucano, construída durante seus dois mandatos como governador mineiro e na eleição presidencial de 2014, poderia recolocá-lo no centro do debate político.
Na disputa daquele ano, Aécio chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff e terminou a eleição com 48,36% dos votos, contra 51,64% da petista.
O ex-governador, porém, viu sua trajetória política ser atingida pelas investigações da Operação Lava Jato. Integrantes do PSDB avaliam que uma candidatura presidencial também poderia servir para que o deputado tentasse “limpar seu nome publicamente”, destacando absolvições e decisões favoráveis obtidas na Justiça nos últimos anos.
A principal denúncia contra Aécio surgiu em 2017, quando veio a público uma gravação de conversa com o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, controlador da JBS. No áudio, o tucano solicitava R$ 2 milhões para custear sua defesa na Lava Jato. O dinheiro acabou sendo entregue a um primo do deputado em ação monitorada pela Polícia Federal.
O caso foi posteriormente rejeitado pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal de São Paulo. Na decisão tomada em 2022, o magistrado concluiu que não havia provas ligando o pedido de empréstimo a atos de corrupção. Segundo o juiz, existiam apenas “negócios lícitos, como a doação de campanha eleitoral no valor de R$ 110 milhões, compra de apartamento de R$ 18 milhões e pedido de empréstimo de R$ 5 milhões”.
Na ocasião, Aécio divulgou nota afirmando que “a farsa foi desmascarada” e que “foi demonstrada a fraude montada por membros da PGR e por delatores que colocou em xeque o Estado democrático de Direito no país”. E mais: Delação de Vorcaro expõe divergência entre PF e PGR. Clique AQUI para ver. (Foto: Ag. Câmara; Fonte: Folha de SP)

