Um levantamento do Banco Inter indica que a proposta de reduzir a jornada de trabalho no Brasil — com o fim da escala 6×1 e limite de 40 horas semanais — pode provocar uma retração de aproximadamente 0,82% no Produto Interno Bruto (PIB) no médio prazo.
O impacto seria mais intenso em áreas que dependem fortemente de mão de obra e apresentam maior nível de formalização.
A alta do PIB em 2025 no Brasil foi de 2,3%, o que significa que o impacto seria de 34% em relação à alta do ano passado.
De acordo com o estudo, eventuais ganhos de produtividade poderiam compensar parte dessa perda. No entanto, fatores estruturais da economia brasileira, como a histórica baixa taxa de poupança, rigidez nas engessadas regras trabalhistas e dificuldades para importar tecnologia, geram incertezas quanto à capacidade de neutralizar os efeitos negativos.
A análise considera que a redução da jornada atual, de 44 para 40 horas semanais, exigiria um aumento médio de produtividade de cerca de 0,47% somente para equilibrar os impactos, sem gerar ganho à economia para o aumento na produção.
O documento destaca que mudanças no fator trabalho — um dos principais insumos da economia — tendem a gerar efeitos amplos, o que exige uma avaliação cuidadosa dos custos envolvidos antes da adoção de políticas públicas nessa área.
Para chegar às estimativas, o banco utilizou um modelo econômico setorial que simula os efeitos do aumento nos custos de produção sobre diferentes segmentos da economia. O estudo ressalta que a diversidade de atividades no país leva a impactos distintos entre os setores.
Entre os mais afetados estaria o segmento de vigilância, com elevação de custos estimada em 5,5%. Já áreas como atividades imobiliárias e refino de petróleo não apresentariam variações relevantes.
Outros ramos intensivos em trabalho, como a saúde pública, poderiam ter aumento de cerca de 2% nos custos, enquanto setores mais dependentes de capital, como a agricultura, registrariam impacto mínimo, próximo de 0,1%.
O levantamento também observa que o encarecimento da mão de obra representa apenas parte da estrutura total de custos da economia, mas ainda assim pode influenciar significativamente o desempenho de diversos segmentos.
Além da proposta defendida pelo governo, há outras iniciativas em tramitação no Congresso que preveem mudanças na carga horária, incluindo a redução para 36 horas semanais.
Ainda assim, o estudo avalia como pouco provável a adoção de cortes mais amplos no curto prazo, apontando que um limite de 40 horas já colocaria o Brasil mais próximo de países sul-americanos com jornadas menores, possivelmente por meio de uma implementação gradual. (Foto: PixaBay; Fonte: CNN)

