A Justiça Eleitoral de São Paulo decidiu abrir ação penal contra o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, por suposto crime de violência política contra a mulher.
A decisão foi tomada pelo juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral, após o recebimento de denúncia apresentada pelo Ministério Público.
De acordo com a Promotoria Eleitoral, o comunicador fez declarações com o objetivo de constranger e humilhar a deputada federal petista Natália Bonavides (PT-RN) ao comentar um projeto de lei de autoria dela.
As falas teriam sido veiculadas em dezembro de 2021, durante um programa na Rádio Massa FM, com conteúdo considerado ‘discriminatório em razão do gênero’.
A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta que o próprio apresentador confirmou as declarações, apontando que se tratava de seu estilo e de uma estratégia para atrair audiência.
Na denúncia, o Ministério Público destacou expressões utilizadas por Ratinho, consideradas ofensivas e depreciativas, além de uma fala interpretada como ameaça.
O órgão também sustenta que as declarações tiveram o intuito de dificultar o exercício do mandato parlamentar.
O magistrado entendeu que há elementos suficientes para o prosseguimento da ação.
“A materialidade do delito imputado, violência política contra a mulher, encontra-se suficientemente demonstrada”, afirmou. Segundo ele, frases como “vá lavar roupa” e “costura a calça do teu marido” configuram, em tese, humilhação e tentativa de deslegitimar a atuação da deputada.
O juiz também ressaltou o caráter intimidatório de outra declaração feita pelo apresentador: “A declaração ‘a gente tinha que eliminar esses loucos… não dá pra pegar uma metralhadora?’ possui um potencial intimidatório e ameaçador que não pode ser ignorado nesta fase”.
O caso teve impacto direto na rotina da parlamentar, que, segundo avaliação judicial, precisou reforçar sua segurança e cancelar compromissos após a repercussão das falas.
O Ministério Público Eleitoral ainda pediu a fixação de indenização mínima por danos morais no valor de R$ 1 milhão, a ser eventualmente paga à deputada.
A investigação teve início a partir de representação da Comissão de Direitos Humanos do Senado.
O processo chegou a ser arquivado em 2023, mas a decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 2024, que determinou a reavaliação do caso. Em 2025, o Ministério Público Federal reviu seu posicionamento e apontou indícios suficientes para o prosseguimento da ação.
Até o momento, a defesa de Carlos Roberto Massa não se manifestou publicamente. E mais: Zema detona Gilmar Mendes. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Terra)

