Durante participação no evento conservador CPAC realizado em Dallas, no Texas, EUA, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou um discurso em inglês, com cerca de 15 minutos de duração, para apresentar as eleições presidenciais brasileiras como um tema relevante para a direita norte-americana.
Diante de milhares de apoiadores do presidente Donald Trump, ele traçou paralelos entre o cenário político do Brasil e o dos Estados Unidos, associando o futuro do país sul-americano aos interesses estratégicos americanos.
Na fala, Flávio comparou a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, à de Trump e fez críticas diretas a Luoa.
De acordo com ele, o atual governo brasileiro está contra interesses dos Estados Unidos e mantém proximidade com países como China, Cuba e Irã.
“Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível”, disse Flávio.
Jair Bolsonaro foi citado diversas vezes ao longo da apresentação. “Eu sei que vocês me olham e pensam que me reconhecem de algum lugar, provavelmente vocês estão pensando no meu pai, Jair Bolsonaro”, afirmou Flávio.
Flávio também associou as acusações enfrentadas pelo pai às investigações contra Trump. “A acusação formal é similar à que o presidente Trump enfrentou: insurreição. Soa familiar?”, disse, provocando reação da plateia.
Em seguida, acrescentou: “Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Donald Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Donald Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo. Nós brasileiros ainda estamos lutando”.
Na segunda parte do discurso, o senador concentrou críticas em Lula, a quem classificou como adversário direto e também como alguém contrário aos interesses dos conservadores americanos. Ele o definiu como um “socialista condenado por corrupção” e exibiu uma imagem do petista ao lado do venezuelano Nicolás Maduro.
Flávio também explicou que a eleição brasileira tem impacto global. “Talvez vocês estejam pensando: ‘Por que deveríamos nos importar? Este é um problema do Brasil’. Deixem-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo”, afirmou.
Em seguida, citou temas como minerais estratégicos e combate ao tráfico de drogas. “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”, disse.
O parlamentar ainda retomou uma pauta recorrente entre aliados, defendendo que facções como o CV e o PCC sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Ao abordar o tema, acusou o governo Lula de atuar contra essa medida. “Ele [Lula] usou lobby pesado com certos conselheiros americanos para evitar que os dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, o presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo”, declarou.
Em outro momento, Flávio lembrou que o governo petista tenta enfraquecer a influência global do dólar e criticou a condução diplomática do país.
“O Brasil agora está expulsando diplomatas americanos”, disse, ao comentar um episódio envolvendo o cancelamento de visto de um funcionário do Departamento de Estado dos EUA.
O senador também fez menção direta a Donald Trump, destacando sua liderança e sugerindo que ele saberia identificar aliados no Brasil.
“Eu entendo que o Presidente Trump está incrivelmente ocupado ‘Fazendo a América Grande Novamente’ e deve manter relações institucionais com líderes de todos os países (…). E sei que às vezes, quando cercado por conselheiros com seus próprios interesses, o quadro fica confuso. Mas estou confiante de que o maior negociador da história [Trump] pode facilmente ver quem são seus verdadeiros aliados do Brasil”, afirmou.
Ao final, Flávio Bolsonaro pediu atenção internacional ao processo eleitoral brasileiro, destacando preocupações com liberdade de expressão e transparência.
“Precisamos de eleições livres e justas. E este é o grande desafio. Se nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer”, disse.
Ele concluiu com um apelo: “Meu apelo aqui, não apenas aos Estados Unidos mas ao mundo livre inteiro, é este: observem a eleição do Brasil com enorme atenção. Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente”. (Foto: reprodução; Fonte: UOL)

