Igreja centenária inicia lenta viagem pela Suécia por expansão de mina de ferro

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Na Suécia, uma das construções mais emblemáticas do país está prestes a mudar de endereço. A Igreja de Kiruna, erguida há 113 anos e considerada a mais bela estrutura de madeira sueca, começará nesta terça-feira (19) uma jornada de dois dias para ser transferida de local.

Pesando cerca de 600 toneladas, o templo foi retirado de suas fundações e colocado em um enorme trailer. O deslocamento de 5 quilômetros acontece por conta da expansão da maior mina subterrânea de minério de ferro do mundo, administrada pela estatal LKAB, que ameaça a estabilidade do solo da cidade da Lapônia.

O processo faz parte de um projeto de três décadas que prevê a realocação de aproximadamente 6 mil moradores e a demolição ou reconstrução de 3 mil residências, além de prédios públicos e comerciais. Algumas construções, como a prefeitura, já foram erguidas em torno do novo centro da cidade.

Para a vigária local, Lena Tjarnberg, a mudança provoca sentimentos ambíguos. “A igreja é a alma de Kiruna e, de certa forma, é um lugar seguro. Para mim, é como um dia de alegria. Mas acho que as pessoas também se sentem tristes porque temos que deixar este lugar”, disse.

Já entre a população indígena Sami, que vive da criação de renas na região há milhares de anos, a mudança é vista com mais resistência. Lars-Marcus Kuhmunen, líder da comunidade Gabna Sami, afirmou que a expansão da mineração ameaça diretamente o modo de vida tradicional. “Esta área é terra tradicional Sami. Esta área era pastagem e também terra onde nasciam os filhotes das renas”, explicou.

Ele acrescenta que a abertura de uma nova mina poderá cortar as rotas utilizadas pelas renas no verão e no inverno, inviabilizando o pastoreio: “Cinquenta anos atrás, meu bisavô disse que a mina iria destruir nosso modo de vida, nosso pastoreio de renas. E ele estava certo”.

Apesar do esforço monumental para salvar a igreja, a mudança simboliza o impacto profundo da mineração em Kiruna, alterando não apenas a paisagem da cidade, mas também a vida cultural e a tradição das comunidades locais. Um vídeo em velocidade acelerada mostra os preparativos para o início do trajeto. (Fonte: Reuters)

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