Diante da possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretende incluir nas negociações bilaterais exigências claras de respeito à ‘soberania nacional’.
A estratégia envolve usar o interesse americano na exploração de minerais críticos como elemento de barganha diplomática.
Segundo interlocutores do governo ouvidos pelo jornal O Globo, esses recursos são considerados estratégicos por Washington porque abastecem cadeias industriais ligadas à transição energética, à indústria de defesa e ao desenvolvimento de tecnologias avançadas, como baterias e semicondutores.
Reduzir a dependência externa desses minerais — especialmente em relação à China — tornou-se prioridade na política industrial e de segurança nacional do governo de Donald Trump.
A preocupação petista com a possível mudança de classificação das facções foi discutida no último domingo em conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, segundo O Globo.
Nos Estados Unidos, autoridades de segurança avaliam que grupos como o PCC e o CV representam ameaça regional devido ao envolvimento com tráfico internacional e outras atividades criminosas transnacionais.
Caso sejam enquadrados como organizações terroristas, integrantes dessas redes e suas estruturas financeiras poderão ser alvo de sanções internacionais, bloqueio de ativos e restrições no sistema financeiro americano.
Em Brasília, há receio de que esse enquadramento amplie pressões externas e abra espaço para medidas extraterritoriais no combate ao crime organizado.
O governo petista argumenta que organizações como PCC e CV são tratadas pela legislação nacional como grupos criminosos voltados ao lucro, e não como organizações com motivação política ou ideológica. E mais: PRF divulga calendário de restrições a caminhões em rodovias federais nos feriados de 2026. Clique AQUI para ver. (Foto: Palácio do Planalto; Fonte: O Globo)

