O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, passou a considerar de forma mais concreta a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada após a nova ordem de prisão decretada na última quarta-feira pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação foi revelada pelo jornalista Lauro Jardim durante participação no jornal da CBN. Segundo ele, a hipótese de colaboração com as autoridades já vinha sendo discutida pela defesa desde o início do ano, mas inicialmente era tratada como uma alternativa remota.
De acordo com o colunista, ainda em janeiro um criminalista de São Paulo chegou a ser convidado para integrar a equipe de advogados de Vorcaro com a missão de avaliar essa possibilidade. O convite acabou sendo recusado, e naquele momento a estratégia principal da defesa seguia por outros caminhos.
Entre as alternativas analisadas estavam a articulação política para tentar reduzir a pressão das investigações e a tentativa de responsabilizar o Banco Central do Brasil pela liquidação do Banco Master, o que poderia abrir espaço para uma eventual ação judicial contra a autoridade monetária no futuro.
Segundo Lauro Jardim, porém, o cenário mudou após a decisão judicial que determinou a nova prisão do ex-banqueiro e diante da sequência de revelações envolvendo o caso Master. Com isso, a delação premiada passou a ganhar mais peso dentro da estratégia da defesa.
Caso a colaboração avance, a equipe jurídica de Vorcaro deverá passar por alterações. A expectativa é que um ou dois advogados deixem o caso e que um novo criminalista seja contratado para conduzir especificamente as negociações do acordo.
Outro ponto em discussão é a forma como a delação seria apresentada. A avaliação dentro da defesa, segundo o jornalista, é que o acordo deveria ser negociado diretamente com a Polícia Federal, e não com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A razão seria a percepção de que haveria menos abertura para aceitar a proposta no âmbito da procuradoria.
Ainda conforme o relato do colunista, os primeiros movimentos para reorganizar a defesa podem ocorrer ainda nesta semana ou, no máximo, na próxima. A mudança de advogados seria o sinal de que as tratativas com a Polícia Federal estariam começando.
Negociações desse tipo costumam ocorrer sob sigilo, o que significa que eventuais conversas devem ser negadas oficialmente pelas partes envolvidas. Para que o acordo avance, no entanto, Vorcaro precisaria apresentar informações consideradas relevantes pelas autoridades.
Na avaliação de Lauro Jardim, se a colaboração de fato se concretizar e trouxer novos elementos para as investigações, o impacto político e jurídico do caso pode ser significativo. Ele resumiu o possível cenário em uma frase: “Vai ser um terremoto”. E mais: EUA valiam reincluir Moraes na Lei Magnitsky; Saiba detalhes (Foto: reprodução; Fonte: CBN)

