Luciano Hang reage à proposta do fim da escala ‘6 x 1’

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A extinção da escala de trabalho 6×1 — seis dias seguidos de labor e um de descanso — pode resultar na perda de mais de 600 mil empregos formais no Brasil, além de provocar uma queda relevante na produtividade e afetar o crescimento econômico.

É o que indica uma nota técnica divulgada pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que analisou os efeitos da diminuição da jornada laboral no país. De acordo com o estudo, comércio, agropecuária e construção seriam os setores mais impactados caso o Congresso aprove a redução das horas trabalhadas.

No comércio, a produtividade por trabalhador cairia 1,3%, acompanhada de retração de 1,6% no emprego formal, o que equivale à eliminação de 164,1 mil vagas. (continua)

Dinheiro esquecido: os brasileiros têm atualmente R$ 10,025 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras, de acordo com a atualização do SVR (Sistema de Valores a Receber). Veja mais AQUI.




(segue) Na agropecuária, os números seriam semelhantes: queda de 1,3% na produtividade e perda de 28,4 mil postos de trabalho. A construção civil também sofreria impactos, com redução de 1,3% na produtividade e corte de 45,7 mil empregos.

Somando os demais setores, o estudo projeta que o mercado formal poderia perder mais de 600 mil postos de trabalho, reforçando os efeitos negativos da medida sobre a economia.

Segundo o CLP, “a redução da jornada de trabalho poderia resultar na diminuição de até 2% na produção do setor formal, considerando tanto a redução de horas trabalhadas quanto a perda de empregos”.

O impacto no Produto Interno Bruto (PIB) seria de aproximadamente 0,7%, cerca de R$ 88 bilhões, destacando os efeitos macroeconômicos de longo prazo.

O estudo ressalta que, caso a jornada 6×1 seja extinta sem ajustes proporcionais nos salários mensais, “o custo do trabalho por hora sobe mecanicamente”.

Para algumas empresas, isso pode ser contornado com reorganização interna, redução de desperdícios ou implementação de novas tecnologias. “Mas para outras pode virar compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala”, alerta a nota técnica.

O CLP cita ainda a experiência de Portugal, que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas, aumentando o salário-hora em 9,2%, mas registrando queda de cerca de 1,7% no emprego e 3,2% nas vendas. A diminuição das horas trabalhadas totalizou 10,9%, segundo o estudo.

Nas redes sociais, o empresário Luciano Hang, dono das Lojas Havan, reagiu à proposta. “A ideia pode soar bonita no discurso, mas, na prática, tende a prejudicar justamente o trabalhador que depende do salário para pagar as contas do mês. Menos dias trabalhados significam menos produção, mais custos para as empresas e menos vagas disponíveis. De um jeito ou de outro, a conta chega: ou com menos empregos ou com aumento no preço dos produtos. Milagre não existe.”

 


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