Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, em dezembro de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião realizada no Palácio do Planalto que não constou na agenda oficial. O encontro aconteceu no gabinete presidencial e se estendeu por cerca de uma hora e meia.
Pouco tempo depois, durante um evento em Maceió (AL), na sexta-feira (23/1), Lula adotou um discurso duro ao tratar do banqueiro. Diante do público, afirmou que “falta vergonha na cara” de quem sai em defesa de Vorcaro. A declaração chamou atenção por contrastar com o histórico recente de proximidade entre o Master e figuras centrais do governo, incluindo ministros presentes no mesmo palanque.
A reunião reservada no Planalto foi revelada pelo colunista Lauro Jardim e recebeu mais informações da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles.
De acordo com ela, o encontro teve a articulação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Dias depois, a mesma coluna informou que Mantega havia sido contratado como consultor do Banco Master, com remuneração mensal de R$ 1 milhão. O vínculo teria sido estabelecido a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Mantega prestou serviços ao banco entre julho e novembro de 2025, período em que recebeu ao menos R$ 16 milhões em honorários. Procurado, o ex-ministro optou por não se manifestar. Jaques Wagner negou ter solicitado a contratação, enquanto a assessoria de Lula não esclareceu por que o encontro com Vorcaro não foi incluído na agenda oficial do presidente.
A consultoria oferecida a Mantega também solucionou um impasse político. Lula tentou acomodar o ex-ministro em funções públicas, mas recuou após reações negativas do mercado financeiro.
Com a vaga no Master, a pendência teria sido resolvida. Diferentemente de outros ex-auxiliares, como Antonio Palocci, Mantega não fez acusações contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato.
À época da reunião no Planalto, as dificuldades enfrentadas pelo Banco Master já eram conhecidas, e Mantega atuava junto ao governo em defesa da aprovação da venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
O encontro reuniu, além de Lula e Vorcaro, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), bem como Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central.
Também participou Augusto Lima, então CEO do Master, apontado como elo entre Jaques Wagner, Rui Costa e o banco. Na conversa, Lima sustentou que grandes instituições financeiras estariam se articulando para manter a concentração do mercado e enfraquecer concorrentes como o Master.
Naquele contexto, Lula travava embates públicos com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e reforçava o argumento de que os bancos privados seriam responsáveis por entraves ao crescimento econômico, em razão dos juros elevados e da concentração do setor. Relatos indicam que o presidente solicitou a Galípolo que analisasse o caso do Master com imparcialidade ao assumir o comando do BC.
Já sob a gestão de Galípolo, técnicos do Banco Central se posicionaram contra a venda do Master ao BRB e decidiram pela liquidação da instituição, apontando uma fraude estimada em R$ 12 bilhões no sistema financeiro. Após essa decisão, Guido Mantega encerrou sua atuação como consultor do banco. E mais: Marinha abre concurso para candidatos com ensino médio com salário de até R$ 6,9 mil. Clique AQUI para ver. (Foto: reprodução; Fonte: Metrópoles)

